Castro defende ação no Rio e diz a Moraes que polícia agiu com equilíbrio diante do terror do CV

Castro defende ação no Rio e diz a Moraes que polícia agiu com equilíbrio diante do terror do CV

Governador afirma que operação foi legal, necessária e proporcional ao poder de fogo do Comando Vermelho; encontro com ministro do STF ocorre em meio a críticas sobre o número de mortos.

O governador Cláudio Castro (PL) se reuniu nesta segunda-feira (3) com o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, para prestar esclarecimentos sobre a megaoperação policial nos complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro — ação que terminou com 121 mortos, entre eles quatro policiais.

Diante das críticas sobre a letalidade da operação, Castro afirmou que não houve exagero. Segundo ele, a ofensiva — batizada de Operação Contenção — foi “proporcional à ameaça letal” representada pelo Comando Vermelho, organização que ele classificou como uma “facção narcoterrorista fortemente armada”.

“Não se tratou de uma operação comum, mas de um enfrentamento a um grupo altamente estruturado, com histórico de resistência violenta e domínio territorial. O uso da força foi legítimo e indispensável para restabelecer a ordem e preservar vidas”, declarou o governador.

Castro ressaltou que as forças de segurança utilizaram apenas armamento padrão — fuzis semiautomáticos, pistolas e viaturas blindadas — e que a reação policial foi compatível com o poder de fogo dos criminosos, que, segundo ele, usaram fuzis automáticos, granadas, armas de calibre .50 e até drones.

O governador também destacou que não há registros de civis mortos, e que os confrontos foram concentrados em áreas de mata, longe de escolas e residências, para proteger a população. “A ação seguiu os princípios da legalidade, necessidade e moderação”, defendeu.

Em sua resposta formal a Moraes, Castro afirmou que a operação foi amparada pela Portaria 855/2025 do Ministério da Justiça, e que todas as mortes foram registradas oficialmente. Ele também informou que um inquérito foi instaurado para investigar possíveis irregularidades, após relatos de remoção e descaracterização de corpos antes da chegada da perícia.

“Mesmo com as dificuldades técnicas e a interferência de terceiros no local dos confrontos, o governo determinou a apuração rigorosa dos fatos”, disse Castro.

O encontro com Moraes ocorreu no Rio e faz parte do esforço do STF para entender o alcance e os resultados da operação, uma das mais letais da história do estado. Enquanto o governo estadual fala em “defesa da ordem”, parte da sociedade civil e organizações de direitos humanos questionam a dimensão da força empregada e a ausência de pronunciamentos públicos do presidente Lula, que até agora não comentou a ação nem parabenizou os policiais envolvidos.

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