
Chefe da PF acompanhou Lula em viagem ao G7 e operação contra Jaques Wagner foi deflagrada horas depois
Andrei Rodrigues retornou da Europa no mesmo avião presidencial e, após desembarque em Brasília, Polícia Federal cumpriu mandados de busca contra o líder do governo no Senado
A operação da Polícia Federal que atingiu o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado, ocorreu poucas horas depois do retorno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva da viagem à França e à Suíça. O detalhe que chamou atenção nos bastidores políticos é que o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, acompanhou toda a agenda presidencial no exterior e desembarcou em Brasília no mesmo avião do chefe do Executivo antes do início da ação policial.
Segundo informações divulgadas pelo colunista Igor Gadelha, do Metrópoles, o avião presidencial pousou na capital federal por volta das 4h30 desta quinta-feira (18). Já nas primeiras horas da manhã, equipes da Polícia Federal saíram às ruas para cumprir mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Jaques Wagner em Brasília e na Bahia, principal reduto político do senador.
Operação mira líder do governo Lula
Jaques Wagner tornou-se alvo das investigações relacionadas ao chamado Caso Master. A Polícia Federal apura suspeitas envolvendo a atuação do parlamentar em pautas de interesse do Banco Master e supostas vantagens indevidas recebidas por pessoas ligadas ao senador.
As buscas foram realizadas justamente contra um dos principais aliados do presidente Lula no Congresso Nacional, responsável por conduzir a articulação política do governo no Senado.
Andrei Rodrigues estava ao lado de Lula até poucas horas antes da ação
Durante a viagem internacional, Andrei Rodrigues participou das agendas oficiais do presidente na reunião do G7, na França, e também dos compromissos em Genebra, na Suíça. Na quarta-feira (17), o diretor-geral da PF esteve ao lado de Lula e do secretário-geral da Interpol, Valdecy Urquiza, em um encontro seguido de entrevista à imprensa.
De acordo com interlocutores do chefe da Polícia Federal, até o momento do início da operação não havia ocorrido conversa entre Andrei Rodrigues e o presidente sobre a ação contra Jaques Wagner, já que Lula teria ido descansar após a longa viagem de retorno ao Brasil.
Caso gera repercussão nos bastidores
A coincidência temporal entre o retorno da comitiva presidencial e a deflagração da operação inevitavelmente provocou comentários e especulações no meio político. Afinal, trata-se de uma investigação que alcança justamente o líder do governo no Senado e um dos mais antigos aliados de Lula.
Por outro lado, integrantes do Palácio do Planalto têm repetido, em situações semelhantes, que a Polícia Federal possui autonomia para conduzir suas investigações e que as operações seguem critérios técnicos e decisões judiciais.
Encontro com Interpol ocorreu na véspera
Na quarta-feira, em Genebra, Lula, Andrei Rodrigues e o brasileiro Valdecy Urquiza, secretário-geral da Interpol, participaram de uma reunião para discutir cooperação internacional no combate ao crime organizado. O encontro foi apresentado como parte dos esforços para ampliar o intercâmbio entre as forças policiais.
Enquanto isso, em Brasília, os preparativos para a operação que atingiria Jaques Wagner já estavam em andamento, culminando nas buscas realizadas poucas horas após o retorno da comitiva presidencial.
A operação acrescenta um novo componente de pressão sobre o governo Lula, que agora vê um de seus principais articuladores políticos no Congresso sob investigação da Polícia Federal, em um caso que promete aumentar a temperatura do debate político nas próximas semanas.