
Ciro Nogueira dá aula de paciência e critica Eduardo Bolsonaro por ataque furado a Tarcísio
Enquanto Eduardo tenta usar “tarifaço” de Trump como munição política, senador do PP defende negociação e repreende o primogênito Bolsonaro
O presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira (PI), resolveu entrar no ringue político para dar uma bronca pública no deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). A razão? Os ataques que Eduardo fez contra o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), após o anúncio das tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros.
Segundo Ciro, Eduardo tem todo o direito de falar o que pensa — mas, convenhamos, “está errando feio” na estratégia. Em entrevista ao UOL nesta quarta-feira (16), o senador não economizou palavras: “Nenhum brasileiro pode aplaudir aumento de tarifa contra o nosso país”. Ou seja, bater no próprio time não está com nada.
A confusão gira em torno da postura que o bolsonarismo deve adotar frente à medida imposta por Donald Trump. Enquanto Eduardo aposta em responsabilizar o Supremo Tribunal Federal (STF) e usa a tarifa para pressionar o governo a anistiar Jair Bolsonaro — acusado de orquestrar um golpe após as eleições de 2022 — Tarcísio trabalha nos bastidores, negociando com empresários e o governo americano para minimizar os impactos do tal “tarifaço”.
Para Ciro Nogueira, Tarcísio está no caminho certo: “O governador jamais pode ser favorável a uma sobretaxa que vai prejudicar muito a indústria do Estado dele.” Ou seja, a política do “choro e barraco” não ajuda ninguém.
Na visão do senador, a “opinião pública” e as “pessoas com mais maturidade” não embarcam nessa onda de ataques de Eduardo — que, para ele, precisa aprender a dosar a linguagem. Aliás, o próprio ex-presidente Jair Bolsonaro reconheceu recentemente que o filho não é tão maduro assim para a política, apesar dos seus 40 anos.
Depois de muita confusão nos bastidores, o patriarca bolsonarista afirmou ter “pacificado” a relação entre os dois: “Conversei com Eduardo e conversei com Tarcísio. Está tudo pacificado… não podemos dividir.” Traduzindo: a briga de família fica para a sala de casa, porque na política o jogo é outro.
No fim das contas, fica a lição de que, na política brasileira, às vezes o melhor remédio é ter paciência — e saber quando é hora de negociar em vez de sair atirando para todos os lados. Pelo menos, segundo o senador Ciro Nogueira, esse parece ser o caminho mais sensato.