
Coca-Cola tenta se desvincular de Moraes após pressão dos EUA: “Não sabíamos que ele estaria lá”
Multinacional corre para apagar incêndio depois que governo Trump questiona patrocínio a evento com ministro sancionado pela Lei Magnitsky
A Coca-Cola precisou correr para se explicar depois que veio à tona que Alexandre de Moraes, ministro do STF punido pela Lei Magnitsky, foi palestrante em um congresso patrocinado pela empresa. A situação virou um constrangimento diplomático: um representante do Departamento de Estado dos EUA ligou diretamente para um executivo da Coca-Cola cobrando explicações sobre o apoio financeiro.
A empresa, com sede justamente nos Estados Unidos, divulgou uma nota apressada afirmando que não sabia que Moraes participaria do evento. Segundo a companhia, o patrocínio ao Congresso Nacional do Ministério Público é antigo e institucional — e a lista de palestrantes não é informada previamente.
A multinacional fez questão de reforçar que não participou da escolha, não organizou o evento e nem sequer esteve presente na edição deste ano. Em outras palavras: correu para deixar claro que não quer qualquer associação com o ministro que foi colocado na lista de sancionados por Trump.
A preocupação é compreensível. A Casa Branca já avisou que empresas com negócios nos EUA podem sofrer sanções secundárias se financiarem — direta ou indiretamente — pessoas atingidas pela Magnitsky. Moraes, por sua atuação no STF, entrou no alvo e virou problema diplomático até para patrocinadores que caíram de paraquedas na situação.
No caso da Coca-Cola, a tendência é que Washington pare na advertência e não vá além. Mas o desgaste ficou: uma das maiores empresas do mundo acabou ligada a um evento cujo palestrante final foi justamente um ministro sob sanções, e agora tenta limpar a imagem dizendo que tudo não passou de um infeliz mal-entendido.
Enquanto isso, o Congresso do Ministério Público seguiu seu roteiro. Moraes, ex-promotor em São Paulo, foi o responsável pelo encerramento — com ingressos de até R$ 1.020 — e mais uma vez se manteve no centro da polêmica internacional.
Mais um episódio que mostra como a presença de Moraes, onde quer que ele vá, arrasta controvérsia, pressão política e constrangimento — até para gigantes globais como a Coca-Cola.