Começa a temporada de compra de votos: “Gás do Povo” vira vitrine eleitoral em país afogado em benefícios

Começa a temporada de compra de votos: “Gás do Povo” vira vitrine eleitoral em país afogado em benefícios

Enquanto o governo distribui gás de graça e multiplica programas, a conta estoura no colo de quem produz e paga imposto — mais uma vez

O governo Lula deu início, nesta segunda-feira, ao tão anunciado Gás do Povo — um programa que, vestido de ação social, já nasce com cheiro forte de palanque. O plano é simples: oferecer botijão de gás de graça para milhões de famílias em plena proximidade do ano eleitoral. E, como sempre, quem financia essa generosidade toda é o contribuinte que rala para pagar uma conta que só cresce.

As primeiras solenidades ocorreram em Belo Horizonte, com direito a discurso, fotografia, tapete vermelho e anúncio oficial de que cerca de um milhão de famílias seriam atendidas neste início. Outras capitais também entram na lista, como Salvador, Fortaleza, Goiânia, Belém, Recife, Natal, Porto Alegre e São Paulo. A meta do governo é gigantesca: 15 milhões de famílias atendidas até março de 2026, exatamente no ano em que Lula tentará se reeleger.

Coincidência? Só para quem acredita em conto de fadas político.

O governo tentou destacar a dimensão “logística” do programa, como se estivesse desbravando uma epopeia. Mas o pano de fundo é bem mais nítido: um país atolado em benefícios, repasses, vales e mais vales… enquanto o cidadão que produz vê impostos subirem, serviços piorarem e o Estado se tornar ainda mais pesado e ineficiente.

E a pergunta que fica martelando na cabeça de qualquer pessoa minimamente sensata é uma só: quem paga essa conta?
Spoiler: certamente não é o governo — é você.

O programa prevê investimentos de quase R$ 100 milhões só no início, com expansão progressiva. A Caixa vai distribuir os vales e cadastrar revendas, enquanto o discurso oficial empurra a narrativa de que “todos devem ter direito ao gás para cozinhar”. Claro que devem — mas isso não justifica transformar política pública em cabide eleitoral.

Lula reforçou que “não falta dinheiro, falta respeito ao povo”. O problema é que respeito não se mede com benefício distribuído em praça pública. Respeito se mede com responsabilidade fiscal, com geração de emprego, com diminuição da dependência estatal — justamente o oposto do que o governo está fazendo ao ampliar um país que vive cada vez mais de auxílio.

Um país cheio de benefícios, sem fôlego na economia e com a classe trabalhadora carregando tudo nas costas não é justiça social — é estelionato político travestido de bondade.

E, com o início do Gás do Povo, o Brasil entra oficialmente na fase que já virou tradição: a temporada de gestos “humanitários” que, no fundo, são apenas o prólogo da caça aos votos. Enquanto isso, a conta segue inchando, silenciosa, na mesa de quem realmente paga: o contribuinte esquecido.

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