Moraes repete o roteiro de sempre e acusa Bolsonaro de agir “com intenção” ao mexer na tornozeleira

Moraes repete o roteiro de sempre e acusa Bolsonaro de agir “com intenção” ao mexer na tornozeleira

Em mais uma decisão previsível, ministro ignora justificativas da defesa e reforça narrativa de dolo, enquanto mantém prisão preventiva

Alexandre de Moraes, mais uma vez, seguiu o caminho que já deixou de ser surpresa para qualquer brasileiro que acompanha minimamente o noticiário. Em seu voto mais recente, o ministro afirmou que Jair Bolsonaro teria violado a tornozeleira eletrônica de forma “dolosa e consciente”, como se estivesse desvendando uma grande descoberta — quando, na verdade, parecia apenas repetir sua própria cartilha.

No documento, Moraes disse que Bolsonaro ampliou o “desrespeito às cautelares” ao mexer no equipamento na última sexta-feira. Para ele, não há dúvida: o ex-presidente teria agido com plena intenção. Ou seja, segundo o ministro, nada de erro, nada de confusão — tudo teria sido premeditado.

A defesa, por sua vez, explicou na audiência de custódia que o episódio foi causado por um surto ligado ao uso de medicamentos psiquiátricos. Bolsonaro relatou ansiedade, insônia e efeitos de remédios como pregabalina e sertralina. Disse também que mexeu na tornozeleira num momento de paranoia, mas parou e avisou os agentes logo em seguida.

Nada disso, porém, ganhou uma única linha de consideração no voto de Moraes. O argumento foi simplesmente ignorado, como se não tivesse sido mencionado. Nenhuma ponderação, nenhuma dúvida, nenhum “vamos avaliar”.

O ministro ainda destacou que Bolsonaro teria “confessado” a falta grave, mas desprezou completamente o contexto apresentado pela defesa. E, sem surpresa, concluiu que os requisitos para manter a prisão preventiva estavam todos presentes — mais uma página idêntica ao enredo que o país já conhece.

Enquanto isso, o julgamento segue no plenário virtual, onde cada ministro apenas registra seu voto no sistema. Um procedimento rápido, frio e distante, mas que se tornou palco constante para decisões que vêm transformando o Judiciário em protagonista absoluto da política.

E assim, em mais um capítulo nada inesperado, Moraes reforça sua postura dura, imune a contradições, resistente a explicações e fiel à narrativa que escolheu — deixando claro que novidade, por ali, não é algo com que se trabalhe.

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