
Comunidade e Crime
Liderança do Moinho acusada de extorsão enquanto ajudava na visita de Lula
Alessandra Moja Cunha, líder da Associação da Comunidade do Moinho, no Centro de São Paulo, foi presa nesta segunda-feira (8/9) durante a Operação Sharpe. Segundo o Ministério Público de São Paulo (MPSP), Alessandra integrava a organização criminosa liderada pelo irmão, Leonardo Moja, conhecido como “Léo do Moinho”, principal figura do PCC na região. Além disso, teria comandado a cobrança de moradores interessados em deixar a favela, aplicando multas que chegavam a R$ 100 mil.
O caso ganhou repercussão porque Alessandra participou da preparação da visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à comunidade, em junho, quando chegou a dividir o palco com ele. O encontro foi organizado pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Márcio Macêdo, com o objetivo de tratar exclusivamente de soluções habitacionais.
De acordo com o MPSP, Alessandra também cobrava propina de famílias beneficiadas pelo acordo com a CDHU, permitindo cadastro e assinatura apenas mediante pagamento à família Moja. A arrecadação teria sido usada para lavar dinheiro obtido por atividades criminosas controladas por seu irmão.
Na operação desta segunda, a filha de Alessandra, Yasmin Moja Cunha, também foi detida. Ela estava envolvida em reuniões com o governo federal relacionadas à desocupação da área, que será transformada em parque pelo Estado após a saída das famílias.
O histórico de Alessandra inclui condenação por homicídio em 2015, por participação em assassinato ocorrido na favela em 2005. Ela cumpriu pena entre 2018 e 2019, e desde então atuava como liderança comunitária, frequentemente criticando a ação da Polícia Militar.
A Associação da Comunidade do Moinho, por sua vez, afirmou à Defensoria Pública que não possui vínculo com organizações criminosas e que se dedica a lutar pelo direito à moradia e à segurança dos moradores. Márcio Macêdo reforçou que a reunião com a liderança comunitária tinha como única pauta a solução habitacional e a preparação da visita presidencial, destacando a importância do diálogo com representantes locais.