
Moraes veta filhos de Bolsonaro como testemunhas em processo de ex-assessor do Planalto
Carlos e Eduardo Bolsonaro são investigados por envolvimento na mesma trama golpista e, por isso, foram impedidos de depor em defesa de Filipe Martins, acusado de participar do plano de ruptura institucional
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu nesta terça-feira (1º) que Carlos e Eduardo Bolsonaro não poderão ser ouvidos como testemunhas no processo que envolve Filipe Martins, ex-assessor especial do ex-presidente Jair Bolsonaro. Martins é réu por participação na tentativa de golpe de Estado em 2022.
Segundo Moraes, a decisão se baseia no fato de que os dois filhos do ex-presidente também são alvos de investigações diretamente conectadas à mesma trama golpista — o que comprometeria a imparcialidade dos depoimentos. Além disso, o ministro destacou o vínculo familiar entre os três, o que, segundo ele, compromete ainda mais a legitimidade de um eventual testemunho de defesa.
Eduardo Bolsonaro, deputado federal licenciado por São Paulo, está sendo investigado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por supostas tentativas de pressionar autoridades brasileiras a partir dos Estados Unidos. De acordo com o inquérito, essas ações fariam parte de uma engrenagem golpista que tentou enfraquecer o sistema democrático brasileiro após as eleições de 2022.
Carlos Bolsonaro, por sua vez, já foi indiciado pela Polícia Federal no caso da chamada “Abin paralela”. A investigação aponta o uso ilegal de estruturas de inteligência do Estado para monitorar adversários políticos e autoridades — prática que, segundo Moraes, tem ligação direta com a tentativa de ruptura institucional da qual Filipe Martins é acusado de participar.
Filipe Martins responde na Justiça dentro do chamado “núcleo 2” da tentativa de golpe, grupo formado por figuras com “poder político e influência relevante”, de acordo com a denúncia da PGR. Esse grupo teria tido papel estratégico na articulação do plano de desestabilização da democracia, tentando dar base institucional para a permanência de Bolsonaro no poder mesmo após a derrota nas urnas.
Moraes também levou em consideração o fato de Carlos e Eduardo serem filhos de Jair Bolsonaro, que também se tornou réu no STF por tentativa de golpe. Para o ministro, esse vínculo direto agrava a suspeição e retira qualquer presunção de neutralidade nos depoimentos, o que inviabiliza a participação deles como testemunhas.