Confusão sob controle… menos da democracia

Confusão sob controle… menos da democracia

ABI reage após expulsão de jornalistas e acusa presidente da Câmara de tratar imprensa como inconveniente — enquanto a Polícia Legislativa resolve tudo “no tapa”

A terça-feira na Câmara foi daquelas cenas que fazem qualquer manual de democracia pedir demissão. O presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Octávio Costa, afirmou que Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Casa, “não faz a menor ideia da importância do jornalismo para a democracia”. Difícil discordar depois do espetáculo lamentável que tomou conta do plenário.

Tudo começou quando o deputado Glauber Braga (PSOL-RJ), já previsivelmente inflamado, decidiu ocupar a mesa diretora e se recusar a sair. A confusão não nasceu do nada — Glauber acendeu o pavio. Mas quem tratou de transformar o incêndio em explosão foi a Polícia Legislativa, que resolveu a situação à moda antiga: empurrões, quedas, agressões e a expulsão de jornalistas que apenas faziam seu trabalho.

Enquanto Glauber era arrastado para fora à força, repórteres tentavam registrar o ocorrido. Mas não por muito tempo — a ordem foi clara: câmeras desligadas, TV Câmara com sinal cortado e imprensa para fora. Transparência? Só se for de fumaça.

Diante desse teatro deprimente, a ABI decidiu reagir. A entidade acionou a Procuradoria-Geral da República, levou o caso ao Conselho de Ética e ainda comunicou organismos internacionais. Segundo Octávio Costa, o episódio mostrou que “relatar fatos incomoda muita gente — e, pelo visto, incomoda muito o presidente da Câmara”.

Em uma audiência no Senado, Costa reforçou o óbvio ululante: sem imprensa livre, não há democracia que fique de pé. Já Hugo Motta parece operar sob outro manual, um em que jornalista vira obstáculo e não parte fundamental da República.


Jornalistas removidos, imprensa silenciada e plenário às escuras

Na mesma tarde, enquanto a crise fervia, a Polícia Legislativa empurrou, derrubou e agrediu profissionais de imprensa que acompanhavam o desfecho da resistência de Glauber. O repórter virou alvo, não observador. E o país ficou às cegas quando a TV Câmara interrompeu a transmissão — a Casa que deveria ser do povo virou sala fechada, com vidro fumê.

A ABI chamou o episódio pelo nome certo: censura. E não ficou sozinha.

Fenaj, Abratel, ANJ, Aner e Abraji também repudiaram a violência e o cerceamento, cobrando apuração imediata. Quando tantas entidades concordam sobre algo, é porque a coisa é grave — muito grave.

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