Zé Trovão surpreende e vira defensor de Glauber Braga

Zé Trovão surpreende e vira defensor de Glauber Braga

Em um gesto que deixou muita gente coçando a cabeça, deputado do PL diz que cassação seria “jogo político” — e garante voto contra punição

O deputado Zé Trovão (PL-SC) resolveu fazer um movimento inesperado — e que levantou sobrancelhas dos dois lados do plenário. Durante a sessão da Comissão de Constituição e Justiça desta quarta-feira (10/12), ele saiu publicamente em defesa do mandato de Glauber Braga (PSOL-RJ), que enfrenta um processo de cassação marcado para as 15h55.

Segundo Zé Trovão, qualquer tentativa de derrubar Glauber não passa de “interesse político da Casa”, já que — como fez questão de repetir — não há acusações de corrupção contra o deputado do PSOL. Mas o discurso, vindo exatamente de quem veio, soou mais como um alerta do que como solidariedade.

“Eu discordo de tudo no Glauber, tudo mesmo. Mas nunca votaria para cassar um parlamentar eleito pelo povo só porque meia dúzia aqui dentro quer”, afirmou, lembrando que disse a mesma coisa diretamente a Sâmia Bomfim, esposa do psolista. A fala, que parecia carregada de honra e princípios, veio acompanhada de outra frase que reafirmou o estranhamento geral: “Ele é uma das pessoas mais horrorosas que já conheci. Mas voto é voto”.

Glauber responde por quebra de decoro após expulsar a chutes um militante do MBL em 2024. A Câmara decide hoje se ele continua deputado — e, de quebra, votará também a situação de Carla Zambelli (PL-SP), cuja cassação está na pauta.

Zé Trovão, aliás, aproveitou o embalo para defender Zambelli. Afirmou que cassá-la seria “dar ao STF um cheque em branco para decidir o destino de qualquer um aqui dentro”. No subtexto, a mesma sensação de recado ao plenário: amanhã, a tesoura pode cortar do lado que ninguém espera.

Confusão, expulsão de jornalistas e plenário às escuras

Na véspera, Glauber protagonizou uma cena tensa no plenário. Ocupou a Mesa Diretora, se recusou a sair e transformou a sessão em um impasse. A Polícia Legislativa acabou expulsando jornalistas do local e a transmissão da TV Câmara foi cortada — deixando o país às cegas enquanto o tumulto acontecia.

Vídeos gravados por parlamentares mostram Glauber sendo retirado à força da cadeira da presidência enquanto aliados tentavam bloquear a intervenção policial. O episódio ocorreu pouco antes da aprovação do PL da Dosimetria.

Depois da confusão, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), disse apenas que agiu dentro do regimento — frase padrão para momentos em que nada parece realmente sob controle.

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