Coreia do Norte critica EUA por capturar Maduro e fala em “soberania”

Coreia do Norte critica EUA por capturar Maduro e fala em “soberania”

Enquanto elogia ditadores, Pyongyang denuncia hegemonia americana e ignora própria falta de democracia

A Coreia do Norte não perdeu tempo em reagir à captura de Nicolás Maduro e sua esposa pelos Estados Unidos no último sábado (3/1). Em comunicado divulgado pela agência oficial KCNA, Pyongyang classificou a operação como uma “grave violação da soberania” e acusou Washington de buscar hegemonia na Venezuela.

“O incidente confirma, mais uma vez, a natureza desonesta e brutal dos EUA”, disse o porta-voz norte-coreano, ignorando convenientemente o fato de seu próprio país governar sob um regime autoritário que reprime liberdades básicas há décadas. Ironia das ironias: um ditador apontando violação à soberania.

A ação norte-americana, que levou Maduro a Nova York sob forte escolta militar, aconteceu em meio à mobilização de tropas americanas no Caribe, incluindo o maior porta-aviões do mundo e dezenas de caças, com o objetivo de capturar o líder venezuelano em menos de um minuto. Segundo os EUA, Maduro responde a 20 acusações, entre elas narcoterrorismo e tráfico internacional de drogas.

Enquanto isso, a vice-presidente venezuelana Delcy Rodríguez assumiu interinamente e prometeu defender a Venezuela e seus recursos naturais, afirmando que o país “jamais será colônia de nenhuma nação”.

A China também condenou a ação americana, chamando-a de “afronta direta à soberania venezuelana”, e alertou para os riscos à paz regional. No mesmo tom, a Coreia do Norte denunciou a intervenção, como se de um palácio de silêncio sobre democracia pudesse vir alguma lição de liberdade.

A captura de Maduro será discutida nesta segunda-feira (5/1) pelo Conselho de Segurança da ONU, enquanto o mundo observa com atenção a ironia de regimes que falam em direitos e soberania enquanto mantêm seus próprios cidadãos sob controle absoluto.

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