
CPMI do INSS define convocações de ex-ministros e ex-presidentes
Comissão começa a detalhar plano de trabalho e mira esclarecimento de fraudes bilionárias
Nesta terça-feira (26), a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS se reúne para votar 35 requerimentos e receber o plano de trabalho do relator, deputado Alfredo Gaspar (União-AL). A reunião está marcada para as 9h e também pode incluir a escolha do vice-presidente da comissão, conforme informou o presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG).
Entre os principais pontos do encontro está a convocação de ex-ministros da Previdência Social:
- Eduardo Gabas, do governo Dilma Rousseff;
- José Carlos Oliveira, que comandou a pasta durante o governo Bolsonaro, quando Previdência e Trabalho estavam unidas;
- Carlos Roberto Lupi, do atual governo Lula.
Além deles, dez ex-presidentes do INSS podem ser chamados para prestar esclarecimentos sobre as fraudes detectadas no órgão, incluindo nomes que passaram pela gestão entre 2012 e 2025, como Lindolfo Neto de Oliveira Sales, Elisete Iwai, Leonardo de Melo Gadelha e outros.
Outro ponto é a possível convocação de Eli Cohen, advogado que ajudou a identificar os descontos irregulares aplicados a aposentados e pensionistas.
Órgãos públicos também serão investigados
A comissão ainda deve solicitar informações de órgãos como a Polícia Federal, Controladoria-Geral da União (CGU), Defensoria Pública da União (DPU), INSS e STF. Entre os dados esperados estão investigações internas, inquéritos policiais e acesso aos sistemas do Tribunal de Contas da União.
Contexto das fraudes
Segundo investigações da Polícia Federal e da CGU, um esquema cobrou mensalidades indevidas de aposentados e pensionistas entre 2019 e 2024, desviando cerca de R$ 6,3 bilhões. Em resposta, o governo federal liberou R$ 3,3 bilhões para ressarcir os prejudicados, por meio da Medida Provisória 1.306/2025.
A CPMI terá 180 dias para concluir as apurações. O pedido de criação da comissão foi apresentado em maio pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e pela deputada Coronel Fernanda (PL-MT). A criação da comissão mista foi aprovada em junho com apoio de 223 deputados e 36 senadores, superando o mínimo necessário. A CPMI é composta por 15 senadores e 15 deputados.