
CPMI do INSS mira sindicato ligado ao irmão de Lula
Parlamentares pedem quebra de sigilo do Sindnapi, que tem Frei Chico como vice-presidente, em meio a suspeitas de irregularidades
A CPMI do INSS deve votar nesta quinta-feira (11) mais de 400 requerimentos, mas quatro chamam a atenção pelo potencial de desgaste ao governo Lula (PT). Eles têm como alvo o Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi), onde o vice-presidente é ninguém menos que José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão mais velho do presidente da República.
Os pedidos incluem a quebra de sigilo da entidade, apresentados pela deputada Adriana Ventura (Novo-SP) e pelo senador Izalci Lucas (PL-DF). Outros requerimentos, de Izalci e do senador Marcos Rogério (PL-RO), pedem ao Coaf o envio de relatórios financeiros que possam envolver o sindicato.
Até o momento, não há solicitação direta contra Frei Chico. Mas o presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), já admitiu que ele pode ser convocado caso surjam evidências de ligação com o escândalo batizado de “farra do INSS”.
Segundo revelado pelo Metrópoles, dirigentes do Sindnapi se beneficiavam de comissões cobradas em descontos feitos diretamente nos benefícios de aposentados. Entre 2020 e 2023, uma empresa ligada a familiares de integrantes do sindicato teria faturado pelo menos R$ 4,1 milhões, em repasses que envolveram o próprio Sindnapi, o banco BMG e a seguradora Generali.
Nesse mesmo período, a arrecadação do sindicato disparou de R$ 23 milhões para quase R$ 155 milhões — um salto de 564% — impulsionada por um acordo com o BMG que resultou em milhares de filiações suspeitas, muitas vezes sem autorização dos aposentados.
A ascensão financeira coincidiu com mudanças no padrão de vida dos dirigentes. Mansões, piscinas, lago artificial e até empresa offshore em Miami entraram no patrimônio de líderes sindicais.
Apesar dos indícios, a AGU e o INSS têm sido cobrados por não atuarem com o mesmo rigor contra o Sindnapi como fizeram em casos envolvendo outras entidades.
O sindicato, o BMG e a Generali negam qualquer irregularidade. Já a AGU afirmou que nada impede a abertura de novas ações no futuro.