
CPMI mira alto: Zema é chamado a explicar rombo dos consignados
Governador de Minas vira peça-chave na investigação que expõe o caos dos empréstimos oferecidos a aposentados
A CPMI do INSS decidiu que é hora de ampliar o cerco e colocou o governador Romeu Zema na lista de convocados para depor sobre o escândalo dos empréstimos consignados. A decisão, aprovada nesta quinta-feira, deixa claro que o Congresso quer ouvir quem, de alguma forma, teve influência ou participação nos bastidores desse sistema que deixou milhares de aposentados endividados sem nunca ter pedido dinheiro algum.
Com as denúncias de fraudes se acumulando como boleto atrasado, o colegiado entendeu que Zema precisa explicar sua conexão com empresas e práticas investigadas. A convocação não veio por acaso: o nome do governador aparece em meio a articulações políticas, contratos e movimentações que levantaram dúvidas suficientes para colocá-lo no centro da discussão.
O objetivo da CPMI é desmontar a engrenagem que transformou o consignado — que deveria ser um recurso seguro e transparente — em terreno fértil para assédio financeiro, golpes e um rastro de prejuízos especialmente para idosos e pensionistas. E, para isso, ninguém mais está blindado.
O depoimento de Zema deve esclarecer qual foi o papel de seu governo e de agentes ligados ao estado em operações que agora são classificadas como suspeitas. Até lá, o clima segue de tensão: cada nova convocação revela que o abismo das irregularidades é mais profundo do que parecia — e que, no fim das contas, quem sempre paga a conta são os mais vulneráveis.
A CPMI continua firme na promessa de ir até o fim. E agora, com Zema chamado à mesa, o palco das explicações ganhou mais um protagonista.