
Crise no INSS: número 2 cai após ligação com ex-presidente preso vir à tona
Pedido de afastamento expõe tensão interna e pressiona governo em meio à investigação de fraudes contra aposentados
A cúpula do INSS vive mais um terremoto. O presidente do órgão, Gilberto Waller Júnior, decidiu pedir a saída de Léa Bressy Amorim — vice-presidente do Instituto e diretora de Tecnologia da Informação — depois de citar, por escrito, a proximidade dela com o ex-presidente Alessandro Stefanutto, que foi preso na Operação Sem Desconto.
O pedido de exoneração foi enviado ao ministro da Previdência, Wolney Queiroz, na última sexta-feira. No documento, Waller lembra que a investigação mira um esquema de fraudes que atingiu diretamente aposentados e pensionistas, e que já custou o cargo (e a liberdade) de Stefanutto.
Léa, apontada como figura próxima ao ex-dirigente, permaneceu no alto escalão mesmo após a operação estourar — e essa convivência, segundo Waller, virou um problema não apenas interno, mas público. Para o presidente do INSS, manter a servidora em cargos estratégicos colocaria em risco a imagem do órgão justamente no momento em que o país exige respostas.
Waller foi direto: falou da “proximidade notória” entre Léa e Stefanutto e reforçou a necessidade de apoiar, sem hesitar, toda a apuração da CPI e das autoridades.
Ministro cobra explicações — e freia o afastamento
A reação do Ministério da Previdência, porém, foi imediata. Wolney Queiroz enviou um ofício nesta quarta-feira pedindo que Waller detalhe claramente quais irregularidades ou crimes justificariam tirar Léa Bressy do cargo.
Segundo o ministro, um servidor público não pode ser afastado apenas com base em relações pessoais, rumores ou suposições — sem provas ou indícios concretos. A preocupação formal é evitar injustiças; a política, porém, é evitar que o caso se transforme em mais um desgaste para o governo.
O ministério reforçou ainda que o objetivo é garantir transparência total e impedir que insinuar culpa sem evidências destrua reputações — ou a credibilidade já fragilizada do próprio INSS.