Crítico incansável de Bolsonaro, Wagner Moura silencia sobre escândalos do governo Lula

Crítico incansável de Bolsonaro, Wagner Moura silencia sobre escândalos do governo Lula

Ator ironiza ex-presidente no exterior, mas evita comentários sobre verbas milionárias e denúncias envolvendo o atual governo

Wagner Moura voltou a repercutir nas redes e na imprensa internacional após declarar, em tom irônico, que deveria “agradecer” a Jair Bolsonaro pela existência do filme “O Agente Secreto”. A fala foi feita durante entrevista ao programa The Daily Show, nos Estados Unidos, na última sexta-feira (16).

Conhecido por suas críticas constantes ao ex-presidente, o ator afirmou que a obra nasceu da “perplexidade” diante do que classificou como retrocessos democráticos ocorridos no Brasil entre 2018 e 2022. Segundo ele, sem Bolsonaro, o filme simplesmente não existiria.

Até aí, nenhuma surpresa. O que chama atenção, no entanto, é o silêncio absoluto de Wagner Moura quando o assunto envolve corrupção, uso de verbas públicas e escândalos ligados ao atual governo Lula — o mesmo governo sob o qual o cinema nacional voltou a receber recursos generosos.

Críticas seletivas e silêncio conveniente

Enquanto Bolsonaro é rotineiramente citado, atacado e associado à ditadura militar em discursos internacionais, Lula parece imune a qualquer questionamento público por parte do ator, mesmo diante de denúncias e polêmicas que cercam o governo petista.

A ironia fica ainda mais evidente quando se lembra que projetos audiovisuais ligados ao setor cultural voltaram a receber valores milionários em incentivos e financiamentos públicos. Entre eles, produções que somam cifras expressivas — como os R$ 7,5 milhões mencionados em debates públicos sobre o financiamento de filmes.

Ainda assim, nenhuma palavra, nenhuma crítica, nenhum questionamento. O discurso firme contra “autoritarismo” parece desaparecer quando o governo é politicamente alinhado.

Premiações, discurso político e aplausos externos

“O Agente Secreto”, dirigido por Kleber Mendonça Filho e ambientado no Recife de 1977, retrata a perseguição política durante a ditadura militar. O longa foi amplamente premiado, incluindo o Globo de Ouro, no qual Wagner Moura venceu como Melhor Ator em Filme de Drama, além de o filme conquistar a estatueta de Melhor Produção em Língua Não Inglesa.

Durante as entrevistas e premiações, Moura voltou a criticar a Lei da Anistia de 1979 e chegou a afirmar que Bolsonaro “jamais teria existido politicamente” sem ela. Em outro momento, chamou o ex-presidente de “fascista”, inflamando debates e reações da direita brasileira.

Repúdio à militância de um lado só

O problema, apontam críticos, não é a crítica em si — mas a militância seletiva. Há quem veja nas falas do ator menos um compromisso com princípios democráticos e mais uma postura ideológica conveniente, que ataca adversários políticos enquanto fecha os olhos para práticas questionáveis de aliados.

Afinal, se a defesa da democracia é o valor central, ela deveria valer para todos os governos, e não apenas para aqueles que rendem aplausos fáceis em palcos internacionais.

No fim, fica a pergunta que ecoa fora dos holofotes: por que a coragem para criticar desaparece quando o poder muda de lado?

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