
đ Protesto de camarote
Daniela Mercury e Wagner Moura lideram ato na Bahia governada pelo PT, campeĂŁ em violĂȘncia e dependĂȘncia do Bolsa FamĂlia
Salvador amanheceu neste domingo (21) com trio elĂ©trico, discurso pronto e clima de micareta polĂtica. Daniela Mercury, Wagner Moura, Nanda Costa e Lan Lanh subiram no carro de som para protestar contra a chamada PEC da Blindagem e o PL da Anistia. O ponto escolhido nĂŁo poderia ser outro: o Cristo da Barra, cartĂŁo-postal perfeito para dar aquele ar de âresistĂȘncia democrĂĄticaâ com vista para o mar.
O curioso Ă© ver essa cena acontecer justamente na Bahia, estado governado pelo PT hĂĄ quase duas dĂ©cadas, lĂder nacional em violĂȘncia e criminalidade, e onde mais da metade da população depende do Bolsa FamĂlia para sobreviver. Mas, claro, nesse palco da militĂąncia, nĂŁo hĂĄ espaço para autocrĂtica: o problema Ă© sempre o Congresso, os outros, âo sistemaâ.
âEstamos aqui defendendo a democraciaâ, bradou Daniela, como se a democracia fosse um bloco carnavalesco que sĂł desfila quando a esquerda manda o batuque. Ao lado, Wagner Moura fazia pose de Che Guevara versĂŁo Netflix, enquanto a plateia repetia o bordĂŁo da vez: âsem anistiaâ.
Os organizadores apelidaram a PEC de âPEC da Bandidagemâ, mas a ironia salta aos olhos: em um estado assolado por facçÔes criminosas, recordista em homicĂdios e governado pelo mesmo partido que hoje grita contra âblindagemâ, a indignação soa mais como espetĂĄculo do que resistĂȘncia real.
No fim, o protesto em Salvador teve mais cara de showmĂcio do que de ato polĂtico. Um evento em que artistas milionĂĄrios e militantes profissionais subiram no trio para cantar a velha cantilena da esquerda. E, como sempre, quem paga a conta dessa encenação Ă© o povo â aquele mesmo que continua preso Ă violĂȘncia e Ă misĂ©ria de um estado hĂĄ muito tempo dominado por uma sĂł bandeira.