Debate aceso após negação de André Valadão

Debate aceso após negação de André Valadão

“Nunca fui bolsonarista”: a defesa que não convence diante de um histórico público

O pastor André Valadão, líder da Igreja Batista da Lagoinha, causou reação nas redes sociais ao afirmar que “nunca foi nem é bolsonarista” e que não tem filiação política com o ex‑presidente Jair Bolsonaro, mesmo depois de muitos momentos públicos envolvendo ele e aliados da família Bolsonaro.

Em vídeo publicado recentemente, Valadão repetiu que não se considera bolsonarista e tentou reduzir sua postura política à simples escolha eleitoral pessoal, afirmando que “não sou filiado a nenhum partido político” e que votar em um candidato que pareça mais alinhado aos seus valores é um direito individual.

A declaração repercutiu porque muitos registros mostram uma longa proximidade entre o pastor e figuras do círculo bolsonarista. Fotos e vídeos disponíveis nas redes resgatam momentos em que Valadão participou de cultos ao lado do senador Flávio Bolsonaro, que recebeu oração pública do pastor durante um culto em Orlando (EUA) em dezembro de 2025 — gesto que foi compartilhado pelo próprio político.

Esse histórico torna difícil engolir a negativa tão enfática do religioso, especialmente quando sua própria emissora ligada à igreja chegou a receber recursos públicos durante o governo Bolsonaro, o que levanta questionamentos sobre interesses políticos por trás desse posicionamento.

O episódio reacende um debate mais amplo: até que ponto lideranças religiosas conseguem — ou deveriam — separar sua atuação espiritual de alinhamentos políticos explícitos? Em um momento em que a atuação do campo evangélico tem grande impacto no cenário eleitoral, negar vínculos que já foram públicos pode parecer, no mínimo, uma tentativa de apagar um passado recente, gerando repúdio e desconfiança em muitos setores da sociedade.

Enquanto Valadão insiste que suas escolhas são guiadas por valores pessoais e não por lealdades partidárias, o registro público mostra outra realidade, e isso só aumenta a necessidade de transparência e responsabilidade — tanto moral quanto cívica — de figuras que têm voz forte na vida de milhões de brasileiros.

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