
Decepção no ar: Lula falou em frente ampla, mas entregou governo sob influência de Janja, diz assessor
Chico Mendez, estrategista político ligado ao presidente da Câmara, critica rumos do governo e aponta distanciamento da base que elegeu o petista em 2022.
O marqueteiro Chico Mendez, responsável pela comunicação do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), fez duras críticas ao presidente Lula (PT), acusando-o de não cumprir a promessa de liderar um governo de frente ampla. Para ele, em vez de dialogar com os diferentes setores que compuseram a aliança eleitoral de 2022, Lula estaria conduzindo um governo “guiado por uma agenda personalista e identitária” representada pela primeira-dama, Janja da Silva.
— O que se prometeu foi uma frente ampla, mas o que se entregou foi uma frente Janja. Não é questão de mérito ou preconceito, mas ela personifica uma pauta que não representa a diversidade da aliança que ajudou Lula a se eleger — disse Mendez, em entrevista ao jornal O Globo.
Mendez também rechaçou a tese defendida por João Santana — ex-marqueteiro de Lula e Dilma — de que a solução para os problemas do governo seria radicalizar à esquerda nos dois anos restantes do mandato. Para o estrategista, o caminho inverso seria mais eficaz: estreitar os laços com o Centrão e reconstruir a ponte com a frente ampla original.
Ele ainda comentou a reconfiguração na comunicação do Planalto. Segundo Mendez, uma das primeiras ações do atual ministro da Secretaria de Comunicação (Secom), Sidônio Palmeira, foi justamente afastar Janja da linha de frente da comunicação institucional do governo.
— O Sidônio é experiente. Assim que assumiu, virou o leme das redes sociais e ela desapareceu do cenário. Se fizeram isso, é porque as pesquisas mostraram que a presença dela estava mais atrapalhando do que ajudando — avaliou.
Sidônio Palmeira assumiu a Secom em janeiro de 2025 com a missão clara de recuperar a imagem do governo Lula, que vinha em queda nas pesquisas de aprovação.
Com passagens por campanhas de nomes como Fernando Pimentel (PT), João Doria (PSDB) e Henrique Meirelles (MDB), Chico Mendez conhece bem os bastidores da política nacional — e faz questão de lembrar que o apoio conquistado por Lula nas eleições de 2022 veio de uma colcha de retalhos que vai muito além da esquerda tradicional.
Segundo ele, insistir em pautas que não dialogam com esse eleitorado pode custar caro politicamente.