
Defesa de Bolsonaro tenta acompanhar acareação entre Cid e Braga Netto na ação da trama golpista
Enquanto general nega envolvimento, ex-ajudante de ordens reforça delação; defesa pede para garantir presença no julgamento e evitar obscuridade
É revoltante ver como mais um capítulo dessa trama golpista insiste em virar jogo de cena para esconder a verdade. A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) permissão para acompanhar de perto a acareação entre Mauro Cid, ex-ajudante de ordens, e o general Braga Netto — ambos réus no processo que apura o golpe planejado contra a democracia.
Marcada para a manhã desta terça-feira (24), a audiência é uma peça-chave do inquérito, mas a defesa de Bolsonaro recebeu a informação de que só os advogados dos envolvidos diretamente terão acesso e que não haverá transmissão ao público. Diante disso, o advogado Celso Vilardi exigiu autorização para estar presente, ressaltando a importância de acompanhar o confronto de depoimentos presencialmente e garantir transparência no processo.
A tensão aumenta porque a defesa do general Braga Netto pediu essa acareação justamente para esclarecer pontos nebulosos: as acusações de que o militar teria discutido o tal “Punhal Verde e Amarelo” — um plano golpista que, segundo relatos, incluía até assassinatos de autoridades — e de que teria entregue dinheiro a Cid dentro de uma sacola de vinho. Informações graves que Braga Netto nega veementemente, como já afirmou em depoimento recente, no qual desmentiu ter conhecimento do plano ou ter passado valores ilícitos para o ex-ajudante.
Desde dezembro do ano passado, Braga Netto está preso, acusado de tentar atrapalhar as investigações e de vasculhar os depoimentos de delação premiada de Mauro Cid, que é delator da Polícia Federal. Essa disputa no tribunal é mais do que uma simples discussão entre réus — é uma batalha pelo futuro da justiça no país.
Além disso, o ministro Alexandre de Moraes também autorizou outra acareação, entre o ex-ministro Anderson Torres e o general Freire Gomes, para esclarecer contradições nos depoimentos sobre a reunião em que Bolsonaro teria apresentado o golpe às Forças Armadas em 2022. Mais uma peça deste quebra-cabeça sombrio que ainda precisa ser desvendado.
Enquanto isso, resta à sociedade acompanhar de perto e cobrar rigor e clareza, para que os responsáveis pela tentativa de desestabilizar a democracia não saiam impunes desse jogo de mentiras e manipulações. A verdade precisa prevalecer, e ninguém pode se esconder atrás da burocracia judicial para fugir da justiça.