
Deputado “assume” que é maconheiro — e a surpresa é… nenhuma
Renato Freitas transforma entrevista sobre cannabis em espetáculo, repete provocações, relembra polêmicas e ainda promete fumar “na cara da classe média”
O deputado estadual Renato Freitas (PT-PR) resolveu contar ao Brasil aquilo que, sinceramente, já não chocaria nem a tia do zap mais desatualizada: ele é maconheiro. Não “canabizeiro”, não “usuário medicinal”, mas maconheiro mesmo — como fez questão de frisar, com a ênfase de quem acha que está revolucionando o vocabulário nacional.
A revelação veio em entrevista à revista Breeza e ao podcast Saindo da Estufa, durante a ExpoCannabis 2025. Ali, no ambiente mais favorável possível, Freitas afirmou que fuma, cultiva e planeja até criar uma associação de plantio para atender pacientes — tudo isso enquanto lança farpas para políticos que, segundo ele, fingem não ter coragem de tocar no assunto.
O deputado contou que já tentou cultivar a planta em casa. Plantou algumas sementes, elas até vingaram, mas como precisou viajar, quem ficou responsável pelo “jardim ilícito” foi a mãe — que escondeu os vasos no banheiro. Resultado: “o bagulho não ajudou muito”, como ele mesmo admitiu.
Entre declarações sobre racismo estrutural e crítica à criminalização da maconha, Renato Freitas também aproveitou para repetir suas provocações favoritas: disse que quer ver a cannabis ser cultivada “por gente preta”, quer “denegrir” o mercado e que será uma vitória poder fumar “na cara da classe média branca e hipócrita de Curitiba”. Temperatura política alta como sempre.
Mas ele não vive só de discurso. O parlamentar voltou aos holofotes recentemente ao protagonizar uma briga no centro de Curitiba — registrada em vídeo, com socos, chutes e um nariz quebrado. Freitas diz ter reagido a um ataque racista e a uma tentativa de atropelamento.
Nada muito diferente do currículo que ele já carrega: detido em 2016 por desacato, novamente em 2017 por filmar policiais, condenado em 2024 por pichar um supermercado durante um protesto, cassado em 2022 por participar de um ato antirracista dentro de uma igreja e reintegrado depois pelo STF, que viu irregularidades no processo.
Ou seja: na lista de “polêmicas do Renato Freitas”, admitir que fuma maconha parece até um detalhe tímido. A verdadeira novidade aqui talvez seja perceber que, depois de tantas brigas, polêmicas e discursos inflamados, ele ainda encontra tempo para plantar umas sementinhas no banheiro de casa — mesmo que o cultivo não tenha dado muito certo.