
Deputado estadual Marcelo Aguiar, do PL, é detido após disparo de arma em festa em São Paulo; pistola é apreendida e caso será investigado
Parlamentar foi levado à delegacia após ocorrência em uma casa noturna no Itaim Bibi, na madrugada de 19 de outubro; testemunhas relataram uma confusão antes do tiro, ninguém teve ferimentos graves segundo as primeiras informações, e a polícia apura as circunstâncias do disparo
O deputado estadual Marcelo Theodoro de Aguiar, filiado ao Partido Liberal (PL) de São Paulo, foi detido na madrugada desta segunda-feira, 19 de outubro de 2026, após um disparo de arma de fogo durante uma confusão em uma casa noturna na região do Itaim Bibi, na capital paulista. A ocorrência mobilizou a Polícia Militar, levou à apreensão da pistola que estava com o parlamentar e será investigada pela Polícia Civil.
Segundo informações do registro policial divulgadas pela imprensa, o episódio aconteceu no estabelecimento Santo Cupido Bar. Seguranças relataram que o disparo ocorreu durante um tumulto e que, depois do tiro, retiraram o deputado do local e o desarmaram. O gerente do estabelecimento acionou a polícia.
A arma apreendida é uma pistola Glock G42, calibre .380. De acordo com as informações divulgadas, Marcelo Aguiar possuía porte de arma válido. A pistola foi encaminhada para perícia, que deverá contribuir para esclarecer as circunstâncias do disparo e verificar se houve alguma falha no funcionamento do equipamento.
Como começou a confusão
De acordo com relatos de testemunhas reproduzidos pela imprensa, Marcelo Aguiar estaria incomodando mulheres e outros frequentadores da casa noturna. Uma testemunha afirmou que um homem se aproximou do deputado e pediu que ele parasse. Depois, outros dois homens também teriam solicitado que se afastasse.
Na sequência, foi ouvido um disparo, e os frequentadores se dispersaram. As circunstâncias exatas do tiro ainda precisam ser esclarecidas pela investigação. Embora algumas publicações tenham descrito o episódio como acidental, essa versão deve ser confrontada com os depoimentos, as imagens disponíveis e o resultado da perícia.
Fred Bruno teria sido atingido de raspão
Informações divulgadas posteriormente pelo SBT News e reproduzidas pelo Jornal do Commercio apontaram que o apresentador Fred Bruno, da TV Globo, teria sido atingido de raspão no pé durante o episódio. Segundo essa publicação, ele passa bem e optou por não registrar queixa contra o parlamentar.
A informação exige uma distinção importante: relatos iniciais afirmavam que ninguém havia ficado ferido, enquanto notícias posteriores mencionaram o possível ferimento superficial do apresentador. A extensão da ocorrência deve ser esclarecida com base nos registros oficiais e nos depoimentos das pessoas presentes.
O que Marcelo Aguiar declarou à polícia
Segundo a reportagem da Folha de S.Paulo, o deputado afirmou em depoimento que havia sentido mal-estar em alguns momentos durante a permanência na casa noturna e atribuiu o problema a medicamentos que teria ingerido anteriormente.
Ele relatou que um homem o chamou e que, ao se virar na direção dessa pessoa, caiu e ouviu o disparo. Essa é a versão apresentada pelo parlamentar, que deverá ser confrontada com os demais depoimentos e as provas reunidas pela polícia.
As reportagens também informaram que Marcelo chegou à delegacia com dificuldade para caminhar e precisou do auxílio de policiais militares. Apesar das descrições de testemunhas sobre possível embriaguez, não foi solicitado exame para confirmar esse estado. Portanto, não é correto tratar a embriaguez como um fato comprovado.
Por que o deputado foi liberado?
Embora tenha sido conduzido à delegacia, Marcelo Aguiar foi liberado após prestar esclarecimentos. A autoridade policial considerou as regras constitucionais aplicáveis à imunidade formal dos parlamentares e não formalizou a prisão em flagrante.
A Constituição estabelece proteção específica aos deputados estaduais quanto à prisão, nos termos do artigo 27, parágrafo 1º, combinado com o artigo 53. Essa garantia não significa impunidade: a ocorrência continua sujeita à investigação e às providências legais cabíveis.
O caso foi registrado para apuração de possível crime de disparo de arma de fogo. A pistola foi apreendida, e a perícia deverá ajudar a esclarecer como ocorreu o ti
Veículo com identificação oficial também foi apreendido
Outro ponto que chamou a atenção foi a apreensão de um veículo que circulava com identificação ou placa oficial da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp). Conforme as informações publicadas, o automóvel não constava na relação de veículos oficiais vinculados ao deputado.
A circunstância também merece esclarecimento, mas não permite concluir, por si só, que houve uso irregular de patrimônio público. É necessário identificar a propriedade do veículo, sua origem, a autorização de uso e as condições em que foi utilizado naquela noite.
Quem é Marcelo Aguiar?
Marcelo Theodoro de Aguiar tem 53 anos, é economista, gestor público, cantor sertanejo gospel e político. Sua trajetória pública começou em 2008, quando foi eleito vereador na cidade de São Paulo. Posteriormente, exerceu dois mandatos como deputado federal e chegou à Assembleia Legislativa paulista como suplente, assumindo o mandato estadual em 2025.
No campo artístico e religioso, construiu carreira como cantor gospel e se apresenta publicamente como defensor de valores cristãos, da família e da proteção de crianças e adolescentes. Na Alesp, integra a Comissão de Constituição, Justiça e Redação e apresentou iniciativas relacionadas ao turismo religioso e ao meio ambiente.
Nas eleições de 2026, recebeu 37.585 votos, mas não conseguiu se reeleger, ficando na 12ª suplência.
Responsabilidade pública e necessidade de esclarecimentos
O episódio levanta questionamentos sobre segurança, responsabilidade no porte de armas e conduta de representantes eleitos. Mesmo quando o porte é legal, o transporte de uma arma exige responsabilidade redobrada, especialmente em ambientes movimentados, onde uma discussão pode colocar outras pessoas em risco.
A investigação precisa esclarecer se o disparo foi efetivamente acidental, qual foi a dinâmica da queda relatada pelo deputado, se houve feridos e por que o veículo com identificação oficial estava sendo utilizado naquela situação. Também cabe às autoridades verificar as circunstâncias da presença da arma no estabelecimento e as medidas de segurança adotadas.
A filiação partidária não altera a necessidade de apuração. As mesmas exigências de responsabilidade e transparência devem valer para parlamentares de qualquer partido, seja de oposição ou da base governista.
O ponto central é que um disparo de arma de fogo em um local frequentado por diversas pessoas não pode ser tratado como um incidente sem importância. Mesmo sem confirmação de lesões graves, o episódio poderia ter consequências muito mais sérias. É necessário aguardar a perícia, ouvir as testemunhas e garantir que todas as versões sejam examinadas.
Até a conclusão da investigação, Marcelo Aguiar tem direito à presunção de inocência. Ao mesmo tempo, a sociedade tem o direito de exigir esclarecimentos sobre uma ocorrência que envolveu um representante público armado, uma confusão em uma casa noturna e um veículo com identificação oficial.