Derrite se prepara para transformar facções em “terroristas” na lei

Derrite se prepara para transformar facções em “terroristas” na lei

Secretário de São Paulo vai se licenciar para relatar projeto que quer enquadrar PCC e CV como organizações terroristas, contrariando a lógica jurídica

O secretário da Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite (PP-SP), planeja se licenciar do cargo em novembro para assumir a relatoria do projeto de lei que pretende classificar facções criminosas como organizações terroristas. A iniciativa visa incluir o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho (CV) e milícias privadas na lei antiterrorismo, ampliando penas e atribuições para o combate a esses grupos.

Derrite se reuniu recentemente em Brasília com aliados do PL — Sóstenes Cavalcante, Danilo Forte e Nikolas Ferreira — para organizar seu retorno ao Congresso Nacional e assumir oficialmente a relatoria do projeto. A ideia é que, após a votação, ele volte ao governo de São Paulo para retomar suas funções na SSP.

O projeto, impulsionado por políticos da direita, surge como resposta às megaoperações contra o crime organizado no Rio de Janeiro, e ganha destaque como uma vitrine eleitoral para Derrite e seus aliados, especialmente ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Por outro lado, a medida encontra resistência do governo Lula e do ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, que alerta para a confusão conceitual que a proposta gera:

“Grupos terroristas têm caráter ideológico, político e social. Facções criminosas praticam crimes previstos no Código Penal. Não podemos confundir os dois conceitos.”

Em outras palavras, o projeto de Derrite tenta transformar uma questão criminal de alta complexidade em discurso político e jogada midiática, enquanto a população brasileira espera resultados concretos no combate ao crime organizado, e não manobras legislativas que confundem terrorismo com tráfico de drogas.

O episódio evidencia o choque entre estratégia política e pragmatismo jurídico, mostrando que, em ano eleitoral, qualquer oportunidade de aparecer na mídia vale mais do que o rigor técnico da lei.

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