Desigualdade não se resolve na bala”: Psicóloga se desculpa por comentário polêmico sobre filha de Justus

Desigualdade não se resolve na bala”: Psicóloga se desculpa por comentário polêmico sobre filha de Justus

Aline Alves admite erro ao usar linguagem violenta em protesto simbólico contra a elite brasileira e diz temer por sua vida após ser alvo de ameaças.

A psicóloga Aline Alves de Lima, de 35 anos, gravou um vídeo na noite desta segunda-feira (7) pedindo desculpas públicas à família de Roberto Justus, após um comentário controverso nas redes sociais envolvendo a filha do empresário. Em resposta a uma postagem que discutia desigualdade social e fazia referência aos bolcheviques, Aline comentou: “Tem que metralhar mesmo! PQP!!!!” – frase que rapidamente viralizou e provocou forte reação.

A família de Justus considerou o comentário uma incitação à violência e já cogita acionar a Justiça. Diante da repercussão, Aline usou seu canal no YouTube para se explicar, dizendo que sua intenção era levantar um protesto simbólico contra a desigualdade de classes, mas reconheceu que se expressou de forma “infeliz” e que sua frase foi mal interpretada por estar fora de contexto.

“Meu comentário surgiu diante de um post sobre os bolcheviques e a desigualdade social. Usei uma metáfora forte, sim, mas jamais tive intenção de ameaçar ninguém, muito menos uma criança. Foi um grito desesperado diante de um Brasil partido entre quem sobra e quem ostenta.”

A psicóloga deixou claro que não pretendia atacar pessoalmente a filha de Justus — nem qualquer criança — e destacou seu trabalho na área da saúde mental como prova de seu compromisso com o cuidado humano.

“Eu trabalho com saúde mental, tenho responsabilidade afetiva. Jamais atacaria uma criança. O que eu quis expressar, ainda que de forma errada, foi uma crítica à elite brasileira que vive em uma bolha enquanto o povo se vira pra não morrer de fome.”

Ela também aproveitou o vídeo para fazer um desabafo sobre as contradições do país e a realidade que vive:

“Sou uma mulher negra, formada, atuante, e mesmo assim enfrento dificuldade pra garantir o básico. Enquanto isso, uma criança de cinco anos desfila com uma bolsa de 14 mil reais. Isso não é sobre inveja, é sobre justiça social.”

No entanto, desde que fez o comentário, Aline relata estar sendo alvo de linchamento virtual, com ataques de ódio, ameaças de morte e estupro, e teve seus dados pessoais expostos por grupos extremistas.

“Mesmo sem incitar violência real, virei alvo. Estão me ameaçando, expondo meus dados, e eu temo pela minha vida. Isso não é justiça, é caça às bruxas.”

Ao fim do vídeo, visivelmente abalada, ela reforça o pedido de desculpas:

“Refleti muito. Foi um ato de desespero e revolta. Não é por aí. Peço perdão à família Justus pelas palavras duras e por não ter conseguido expressar meu protesto de forma mais humana e sensata.”

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