
Desperdício que dói: governo Lula queima milhões enquanto a saúde falta na ponta
Ministério da Saúde incinera vacinas e remédios válidos e expõe falhas graves de gestão
Em mais um episódio que provoca indignação, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva viu o Ministério da Saúde descartar R$ 108,4 milhões em vacinas, medicamentos e insumos ao longo de 2025. O dado mais chocante: R$ 18,5 milhões desse total ainda estavam dentro do prazo de validade. As informações vieram à tona por meio da Lei de Acesso à Informação e foram reveladas pelo site Metrópoles.
Entre os itens jogados no forno estão medicamentos de alto custo, como anticorpos monoclonais usados no tratamento do câncer, vacinas contra a dengue, remédios comprados por ordem judicial e até equipamentos com validade longínqua, como kits de monitoramento de glicose que poderiam ser usados até 2050. É difícil explicar à população por que materiais tão caros e necessários acabam virando cinzas enquanto hospitais seguem lotados e faltam insumos básicos.
Segundo o próprio ministério, a incineração representou 1,48% de todo o estoque em 2025, com promessa de redução para 1% em 2026. Mas o histórico recente joga luz sobre um problema estrutural: em apenas três anos do atual governo, o descarte já soma cerca de R$ 2 bilhões, superando com folga todo o mandato anterior, que registrou R$ 601,5 milhões. O pior ano foi 2023, quando o desperdício bateu R$ 1,3 bilhão.
Após denúncias na imprensa, a Controladoria-Geral da União entrou em campo e apontou falhas no controle e na gestão dos estoques do sistema público de saúde. Ou seja: não se trata de um caso isolado, mas de um padrão preocupante.
Em nota, o Ministério da Saúde tenta minimizar o estrago. Alega que não houve desperdício porque parte dos itens foi ressarcida ou reposta por contrato, e atribui as perdas a decisões judiciais, mudanças de protocolos, variações epidemiológicas e regras sanitárias que impedem a reutilização de produtos devolvidos. Também afirma ter modernizado a logística do Sistema Único de Saúde, com monitoramento digital e modelos preditivos.
O discurso oficial, porém, não apaga a imagem de um governo que promete cuidar da vida, mas aceita que milhões em recursos públicos sejam queimados. Em um país onde pacientes esperam meses por tratamento e filas nunca diminuem, o argumento técnico soa frio — e insuficiente. A responsabilidade política é inevitável: quando a gestão falha, quem paga a conta é sempre a população.