Governo atrasa repasse e Tarcísio precisa bancar promessa de Lula

Governo atrasa repasse e Tarcísio precisa bancar promessa de Lula

Compra de casas na Favela do Moinho, anunciada pelo presidente, ainda depende de recursos federais e deixa São Paulo arcar com R$ 200 milhões

Um acordo fechado em maio entre os governos de Lula (PT) e do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) previa a aquisição de imóveis para quase 900 famílias que vivem na Favela do Moinho, no centro de São Paulo, ocupada de forma irregular há décadas.

Porém, a Caixa Econômica Federal ainda não liberou os recursos para a compra das casas. Com isso, a CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano) tem que custear sozinha os cerca de R$ 200 milhões previstos. O governo estadual pretende, depois, pedir ressarcimento à União.

Segundo o secretário estadual de Habitação, Marcelo Branco, cerca de 500 famílias já foram retiradas da área, mas o governo federal não colaborou com nenhum recurso para o reassentamento.

A Favela do Moinho, controlada pelo PCC, está localizada entre os bairros Campos Elíseos e Barra Funda, ocupando uma área próxima à antiga fábrica Moinho Matarazzo. O terreno pertence à União, mas o governo estadual deseja a posse para construir um parque. Lula, entretanto, dificulta a cessão e impôs regras mais rígidas recentemente.

Desde abril, o governo paulista iniciou a desocupação oferecendo reassentamento em imóveis da Cohab, financiamento de até R$ 250 mil e auxílio-aluguel de R$ 800 mensais até a mudança. Além disso, o plano busca reduzir riscos à população devido à alta densidade de moradias, linhas de trem próximas e problemas de escoamento. Nos últimos dez anos, a área registrou dois grandes incêndios que deixaram mortos e centenas de desabrigados.

Apesar de algumas famílias aceitarem as novas moradias, criminosos reocuparam casas desocupadas, forçando aumento da presença policial. O governo Lula então usou as operações como justificativa para atrasar a cessão do terreno.

Em 15 de maio, foi fechado um acordo: cada família receberia até R$ 250 mil (R$ 180 mil da União e R$ 70 mil do estado) para comprar uma casa, além de auxílio-moradia de R$ 1.200 mensais até a mudança. Lula chegou a visitar a favela em junho para anunciar os benefícios e criticar Tarcísio.

Três meses depois, sem repasse federal, o governo paulista segue custeando os reassentamentos. Nesta sexta (15), a Caixa divulgou os nomes das primeiras 453 famílias com cadastro aprovado, etapa inicial para o envio dos recursos.

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