
Direita dividida, esquerda sorrindo
Nikolas Ferreira dispara contra colegas que salvaram Glauber: “pena de comunista é ignorância política em estado puro”
A noite desta quarta-feira (10/12) terminou com um sabor estranho no plenário da Câmara: Glauber Braga (PSOL-RJ) escapou da cassação que parecia inevitável e recebeu apenas seis meses de suspensão. E quem não engoliu esse desfecho foi Nikolas Ferreira (PL-MG), que saiu atirando — não contra a esquerda, mas contra a própria direita.
Em uma publicação no X, Nikolas ironizou o comportamento de parlamentares conservadores que votaram a favor da manobra que poupou o mandato do psolista. Para ele, ver “direitista com piedade de comunista” é praticamente um estágio avançado de ingenuidade política — ou, nas palavras do próprio: “o ápice da ignorância da guerra política.”
E Nikolas não estava falando de teoria, mas de prática: a emenda proposta pelo PSOL, que substituía cassação por suspensão, passou com folga — 318 votos. E entre esses, sete eram de deputados do PL, o mesmo partido que oficialmente defendia a cassação. A rachadura foi tão feia que virou até crise interna.
Bibo Nunes, um dos dissidentes, tentou justificar: votou pela suspensão porque achava que não haveria votos suficientes para cassar Glauber — e, no fim das contas, preferiu “garantir alguma punição a ficar sem nenhuma”. A explicação não convenceu a liderança: Bibo perdeu o cargo de vice-líder logo depois.
Kim Kataguiri (União-SP) entrou na mesma linha de raciocínio, alegando que sem a emenda “Glauber sairia ileso”. Mas Nikolas não comprou essa narrativa: para ele, abrir brecha dessa forma é exatamente o tipo de erro que enfraquece a direita e fortalece adversários.
Glauber, confusão e o voto dividido
O processo contra Glauber veio da acusação de quebra de decoro em 2024, quando ele expulsou a chutes um militante do MBL da Câmara. As justificativas do deputado vieram cheias de emoção: disse ter reagido após o rapaz ofender sua mãe, já falecida.
Mas o caso ganhou ainda mais tensão nesta semana, quando Glauber invadiu a Mesa Diretora para protestar contra a própria cassação. A Polícia Legislativa entrou em cena, retirou o deputado à força, e o episódio culminou em transmissão cortada, jornalistas expulsos e uma enxurrada de críticas à condução de Hugo Motta.
Mesmo assim, no dia seguinte, Glauber escapou da cassação. E Nikolas não deixou passar: disse o que boa parte da militância da direita estava pensando — que a direita “amoleceu” na hora errada e para a pessoa errada.
Para quem acompanha política, a cena foi um retrato fiel do Congresso de 2025: esquerda em minoria, mas articulada; direita em maioria, mas dividida.
E, como sempre, Nikolas não perdeu a chance de registrar o momento com seu já conhecido tom ácido.