
O “revolucionário” de paletó: Dirceu profetiza o futuro como se fosse o guardião da honestidade
Em evento do PT, o ex-ministro condenado por corrupção e lavagem de dinheiro discursa como se fosse o farol moral da República — e ainda anuncia um “momento revolucionário” guiado por isenção de IR.
Se José Dirceu não fosse um personagem da vida real, seria facilmente confundido com uma caricatura política: alguém que sai de uma condenação por corrupção falando como se fosse o cidadão mais íntegro da história — e ainda ditando os rumos “revolucionários” do País.
Durante um evento do PT nesta sexta-feira (5), o ex-ministro — que já passou pelo banco dos réus mais vezes do que muito figurão gostaria de admitir — afirmou ter “intuição” de que o Brasil está prestes a viver um “momento revolucionário”. Tudo isso embalado por promessas de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e outras medidas que, segundo ele, despertariam uma “consciência de classe” quase mística no povo brasileiro.
Dirceu, que coordena um dos grupos responsáveis por escrever o programa de reeleição de Lula, falou como quem recebeu uma revelação divina:
“Eu tenho a intuição de que o Brasil vai viver um momento revolucionário.”
É quase poético — se não viesse de alguém cujo currículo inclui capítulos sombrios da política brasileira.
Ao longo do encontro, o ex-ministro pintou um cenário grandioso, falando de reforma tributária, redução da jornada de trabalho e até de riscos de guerra, como se estivesse conduzindo uma epopeia nacional. Só faltou anunciar que abriria o caminho do “novo Brasil” segurando as tábuas da lei.
Enquanto isso, o diretório nacional do PT se reunia para discutir a eleição de 2026 e montar a vitrine do que seria um eventual Lula 4. Manifestos, diagnósticos sobre “a crise do capitalismo”, debates sobre segurança pública — tudo recheado de promessas que parecem mais slogans de campanha do que políticas concretas.
Edinho Silva, presidente do partido, avisou que os petistas farão debates até abril de 2026 para planejar a reeleição. Nada sobre Flávio Bolsonaro, escolhido como adversário no campo bolsonarista. O foco, ao que parece, estava mesmo na epopeia anunciada por Dirceu.
Para completar o roteiro, Paulo Okamotto anunciou que deixará o comando da Fundação Perseu Abramo — o cérebro intelectual do PT — mas sem revelar quem ocupará o posto.
No fim das contas, o evento teve de tudo: projeções, slogans, alertas dramáticos… e um ex-ministro condenado falando em revolução.
Se isso não é uma síntese perfeita da política brasileira, nada mais é.