
Dívida pública federal chega a R$ 9,38 trilhões no governo Lula, enquanto rombo das estatais bate recorde histórico
Endividamento federal cresceu R$ 90,22 bilhões em setembro e alcançou R$ 9,383 trilhões. Juros consumiram R$ 89,46 bilhões em apenas um mês, enquanto empresas estatais acumularam déficit de R$ 8,5 bilhões entre janeiro e setembro, o pior resultado para o período desde o início da série histórica, em 2002. Dívida bruta do setor público chegou a R$ 11,1 trilhões, equivalente a 82,9% do PIB. Números reacendem críticas à condução fiscal do governo Lula e à falta de controle sobre o crescimento das despesas públicas.
O Brasil encerrou setembro de 2026 com um número que merece atenção de toda a sociedade: a Dívida Pública Federal (DPF) alcançou R$ 9,383 trilhões, uma alta de 0,97% em relação a agosto, quando o estoque estava em R$ 9,293 trilhões. Em apenas um mês, o endividamento aumentou aproximadamente R$ 90,22 bilhões.
Os dados foram divulgados pelo Tesouro Nacional em 29 de outubro, por meio do Relatório Mensal da Dívida. O resultado representa mais um alerta sobre a situação das contas públicas durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O crescimento foi provocado principalmente pela incorporação de juros ao estoque da dívida. Segundo o Tesouro, R$ 89,46 bilhões do aumento mensal vieram dos juros, enquanto aproximadamente R$ 760 milhões decorreram da emissão líquida de títulos públicos.
Em outras palavras, praticamente todo o avanço registrado em setembro esteve relacionado ao custo financeiro do endividamento já existente. O governo emitiu R$ 189,44 bilhões em títulos e resgatou R$ 188,67 bilhões, encerrando o mês com uma emissão líquida de apenas R$ 760 milhões.
O número é expressivo e merece uma pergunta: até quando o país continuará convivendo com uma dívida dessa dimensão, enquanto o governo precisa destinar quantias cada vez maiores ao pagamento de juros?
Rombo das estatais supera recorde anual anterior
Se a dívida pública já representa um problema de grandes proporções, os resultados das empresas estatais federais acrescentam outro motivo de preocupação.
Entre janeiro e setembro de 2026, as estatais federais acumularam déficit de R$ 8,5 bilhões, o pior resultado para os nove primeiros meses de um ano desde o início da série histórica do Banco Central, em 2002.
O resultado negativo supera os R$ 6,73 bilhões registrados em todo o ano de 2024, que até então representavam o recorde anual da série.
Na comparação com o mesmo período de 2025, quando o déficit havia sido de R$ 6,3 bilhões, o rombo aumentou aproximadamente R$ 2,2 bilhões.
Entre as empresas acompanhadas nesse levantamento estão os Correios, a Infraero, o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), a Dataprev e a Casa da Moeda.
É importante esclarecer que a série utilizada pelo Banco Central não inclui Petrobras, Eletrobras nem bancos públicos. Portanto, o resultado de R$ 8,5 bilhões refere-se ao conjunto de estatais considerado nessa metodologia, e não a todas as empresas com participação estatal.
O resultado é especialmente preocupante porque empresas públicas deveriam oferecer serviços eficientes e administrar seus recursos com responsabilidade. Quando acumulam déficits dessa dimensão, a sociedade tem o direito de exigir explicações sobre gestão, despesas, produtividade e planejamento financeiro.
Afinal, empresas estatais não funcionam em um universo separado da realidade econômica. Seus desequilíbrios podem pressionar as contas públicas e aumentar a necessidade de financiamento.
Juros fazem a dívida crescer e aumentam a pressão sobre o orçamento
A dívida interna, que representa a maior parte do endividamento federal, avançou 1,04% em setembro, passando de R$ 8,944 trilhões para R$ 9,037 trilhões.
Já a dívida externa recuou 0,82%, encerrando o mês em R$ 345,41 bilhões, ante R$ 348,26 bilhões em agosto.
O custo médio do estoque da dívida federal, acumulado em 12 meses, também subiu: passou de 12,59% ao ano em agosto para 12,63% em setembro.
Outro indicador que chama atenção é a parcela da dívida com vencimento nos 12 meses seguintes. Em agosto, representava 16,39% do total. Em setembro, chegou a 19,95%.
Isso significa que uma parcela maior do endividamento precisará ser paga ou refinanciada no próximo ano, exigindo planejamento e capacidade de financiamento do Tesouro Nacional.
O prazo médio da dívida permaneceu em 4,10 anos.
O governo precisa administrar esse cenário em um ambiente de juros elevados, pressão sobre as contas públicas e desconfiança dos investidores em relação à trajetória fiscal brasileira.
Dívida bruta chega a R$ 11,1 trilhões e permanece em patamar elevado
Além da Dívida Pública Federal, outro indicador revela a dimensão do endividamento brasileiro: a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG).
De acordo com o Banco Central, esse indicador permaneceu em 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em setembro, equivalente a aproximadamente R$ 11,1 trilhões.
A dívida bruta considera o governo federal, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), estados e municípios. Por isso, não deve ser confundida com a Dívida Pública Federal, que possui abrangência diferente.
Embora o percentual tenha permanecido estável em relação a agosto, a dívida bruta acumulou crescimento de 4,3 pontos percentuais do PIB em 2026.
Na comparação com dezembro de 2022, quando estava em 71,7% do PIB, o indicador aumentou aproximadamente 11,2 pontos percentuais.
O resultado mantém o endividamento em um dos níveis mais elevados dos últimos anos e reforça o debate sobre a capacidade do governo de estabilizar as contas públicas.
Déficit primário de R$ 5,5 bilhões em setembro
O setor público consolidado registrou déficit primário de R$ 5,5 bilhões em setembro de 2026.
O resultado foi composto por desempenhos diferentes entre as esferas administrativas:
- Governo Central: superávit de R$ 3,5 bilhões.
- Estados e municípios: déficit conjunto de R$ 5,6 bilhões.
- Empresas estatais: déficit de R$ 3,4 bilhões.
O déficit primário representa a diferença entre receitas e despesas públicas, sem incluir os juros da dívida.
Na comparação com setembro de 2025, quando o resultado negativo foi de R$ 17,5 bilhões, houve melhora no saldo mensal.
Entretanto, no acumulado de janeiro a setembro de 2026, o setor público consolidado registrou déficit primário de R$ 94,3 bilhões, equivalente a 0,93% do PIB. No mesmo período do ano anterior, o resultado negativo havia sido de R$ 79,2 bilhões, ou 0,84% do PIB.
Portanto, apesar da melhora observada em setembro isoladamente, o acumulado do ano mostra deterioração em relação a 2025.
Despesas com juros ultrapassam R$ 1,2 trilhão em 12 meses
Outro dado que merece destaque é o peso dos juros sobre as contas públicas.
Em setembro, as despesas com juros nominais do setor público consolidado alcançaram R$ 107,5 bilhões, contra R$ 84,7 bilhões no mesmo mês de 2025.
No acumulado de 12 meses, os gastos chegaram a aproximadamente R$ 1,205 trilhão, o equivalente a 8,99% do PIB.
No período de 12 meses encerrado em setembro de 2025, a despesa havia sido de R$ 984,8 bilhões, ou 7,86% do PIB.
Quando os juros são incluídos no resultado das contas públicas, o indicador passa a ser chamado de resultado nominal.
Em setembro, o déficit nominal chegou a R$ 113 bilhões. No acumulado de 12 meses, alcançou aproximadamente R$ 1,275 trilhão, equivalente a 9,51% do PIB.
É uma quantia gigantesca, que evidencia o custo de financiar o endividamento brasileiro e reduz a capacidade de o Estado direcionar recursos para outras necessidades.
Governo mantém discurso de responsabilidade fiscal, mas os números exigem explicações
O governo Lula precisa responder a uma questão fundamental: como pretende estabilizar o endividamento do país diante do crescimento da dívida, do déficit das estatais e do peso crescente dos juros?
Não basta apresentar discursos sobre responsabilidade fiscal enquanto os indicadores mostram uma dívida federal de R$ 9,38 trilhões, uma dívida bruta de R$ 11,1 trilhões e empresas estatais acumulando um déficit recorde para os nove primeiros meses do ano.
É verdade que os juros não são determinados exclusivamente pelo presidente da República. A política monetária é conduzida pelo Banco Central, e o custo da dívida também sofre influência de fatores externos, das expectativas de inflação e das condições do mercado financeiro.
Mas isso não retira do governo a responsabilidade pela política fiscal, pelo controle das despesas, pela qualidade dos gastos públicos e pela apresentação de um plano convincente para estabilizar o endividamento.
A crítica é justamente essa: o governo precisa demonstrar que existe uma estratégia concreta para impedir que a dívida continue crescendo em ritmo preocupante. Não adianta anunciar programas, ampliar compromissos e comemorar números isolados se a conta geral permanece pressionada.
Ironia: a conta chega para o contribuinte, não para quem administra o governo
Enquanto Brasília discute narrativas, alianças e disputas políticas, os números da economia continuam apresentando uma realidade que não pode ser escondida por propaganda.
São R$ 90,22 bilhões acrescentados à dívida federal em apenas um mês. São R$ 8,5 bilhões de déficit acumulado pelas estatais federais em nove meses. São R$ 1,205 trilhão gastos com juros em 12 meses.
E quem paga a conta, direta ou indiretamente, é a população.
O contribuinte não tem como simplesmente ignorar a dívida pública. Ela influencia o custo do financiamento do Estado, a confiança dos investidores, as condições econômicas e o espaço disponível no orçamento para políticas públicas.
É fácil anunciar investimentos, prometer benefícios e apresentar programas como grandes conquistas. Difícil é explicar de onde virão os recursos, como as despesas serão sustentadas e quando o país conseguirá interromper a escalada do endividamento.
O Brasil não precisa de mais discursos comemorativos diante de indicadores preocupantes. Precisa de planejamento, transparência, controle de gastos e responsabilidade na administração do dinheiro público.
No fim das contas, a dívida não desaparece com discurso político. Os juros não são pagos com propaganda, e o rombo das estatais não se resolve com aplausos. A conta continua crescendo — e o contribuinte brasileiro não pode ser tratado como se tivesse dinheiro infinito para financiar a falta de controle do poder público.