Do aplauso à expulsão: deputado do PL defende Moraes, cutuca Trump e perde a cadeira no partido

Do aplauso à expulsão: deputado do PL defende Moraes, cutuca Trump e perde a cadeira no partido


Antônio Carlos Rodrigues elogia ministro do STF, chama sanção dos EUA de “absurda” e irrita colegas de sigla que exigiram sua saída imediata.

O deputado federal Antonio Carlos Rodrigues (PL-SP) comprou uma briga que custou caro. Ao sair em defesa do ministro Alexandre de Moraes — alvo de sanções impostas pelos Estados Unidos por meio da Lei Magnitsky — e criticar duramente o presidente americano Donald Trump, o parlamentar acabou expulso do próprio partido.

Em entrevista ao Metrópoles, Antonio Carlos afirmou que Moraes é “um dos maiores juristas do país” e que a decisão americana foi “um absurdo sem tamanho”. Não parou por aí: disse que Trump deveria “cuidar dos Estados Unidos” e parar de “se meter no Brasil como está se metendo”. O deputado revelou ainda que enviaria uma mensagem pessoal de solidariedade ao ministro do STF, com quem mantém amizade de longa data.

A fala caiu como uma bomba dentro do PL, legenda comandada por aliados de Jair Bolsonaro. Minutos depois, veio a resposta oficial:

“Antônio Carlos Rodrigues acaba de ser expulso do Partido Liberal. Atacar Donald Trump é um ato de ignorância política. Precisamos de diplomacia, não de populismo barato. Chega de arrumar confusão: temos que arrumar o Brasil”, diz a nota divulgada pela sigla.

Essa não foi a primeira rusga entre Antonio Carlos e o partido. Em abril, ele se recusou a assinar o pedido de urgência para votar a anistia dos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023 — contrariando a orientação da bancada. Na época, bateu boca no plenário, lembrando que ajudou a fundar o PL e que ninguém “recém-chegado” ditaria suas posições. A resposta veio de Eduardo Bolsonaro, que afirmou nas redes que, sem os novos integrantes do partido, Antonio Carlos nem teria sido eleito.

Agora, a relação azedou de vez. O parlamentar deixa o PL de forma abrupta, isolado na arena política, mas com a convicção de que fez o certo. Já o partido, aliviado com sua saída, reforça a aliança com Trump e o discurso de linha-dura contra quem desafia a cartilha interna.

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