
Lula se reúne às pressas com AGU para reagir a sanções dos EUA contra Moraes
Encontro reservado no Planalto discutiu medidas judiciais em território americano e reafirmação da soberania brasileira diante da ofensiva de Washington.
Numa manhã agitada em Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu no Palácio do Planalto o advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma conversa longe dos holofotes. O assunto? As sanções impostas pelo governo dos Estados Unidos ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, dentro da chamada Lei Magnitsky.
A reunião, que não apareceu na agenda oficial do presidente, teve um propósito claro: avaliar a possibilidade de acionar a Justiça norte-americana para contestar as medidas. Messias também esteve na noite anterior ao lado de Lula em outro encontro reservado — desta vez com ministros do STF, entre eles Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e o presidente da Corte, Luís Roberto Barroso.
O clima no Planalto é de reação. Além de tratar das sanções contra Moraes — que preveem congelamento de bens e restrições financeiras nos Estados Unidos —, Lula e os ministros discutiram a ordem executiva assinada pelo presidente americano Donald Trump, que aumentou em 40% a tarifa sobre produtos brasileiros, elevando a taxação total para 50%.
Participaram ainda da conversa o ministro da Casa Civil, Rui Costa, e assessores próximos. Em nota divulgada na noite anterior, Lula deixou claro o tom que pretende manter: “É inaceitável a interferência do governo norte-americano na Justiça brasileira. O Brasil se solidariza com o ministro Alexandre de Moraes, alvo de sanções motivadas pela ação de políticos que traem nossa pátria para defender seus próprios interesses”.
Com o tabuleiro internacional cada vez mais tenso, o encontro no Planalto deixa claro que Lula prepara uma resposta firme — tanto no campo diplomático quanto no jurídico — para blindar Moraes e marcar posição contra o que considera um ataque à soberania nacional.