
Dois pesos, duas medidas no STF
Hacker recebe benefício enquanto Carla Zambelli segue sem o mesmo tratamento, reacendendo críticas a Moraes
A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de autorizar a progressão de regime do hacker Walter Delgatti Neto para o semiaberto reacendeu críticas sobre o que muitos chamam de justiça seletiva dentro da Corte. Para uma parcela significativa da população, o episódio reforça a sensação de que o Supremo atua com critérios diferentes conforme o réu — o que levanta questionamentos graves sobre imparcialidade e equilíbrio institucional.
Delgatti foi condenado a oito anos e três meses de prisão por invadir os sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e inserir documentos falsos, inclusive um mandado de prisão contra o próprio Moraes. Mesmo assim, após cumprir cerca de 20% da pena e apresentar bom comportamento carcerário, recebeu o benefício da progressão para o regime semiaberto, com aval da Procuradoria-Geral da República.
A decisão chama ainda mais atenção quando comparada à situação da ex-deputada Carla Zambelli, também condenada no mesmo processo, mas que não recebeu tratamento semelhante. Para críticos, o contraste evidencia uma disparidade difícil de justificar e alimenta a percepção de perseguição política seletiva — especialmente contra figuras ligadas ao campo conservador.
Conhecido desde o episódio da “Vaza Jato”, Delgatti já acumula um histórico de prisões e reincidência criminal. Ainda assim, Moraes considerou que os crimes não envolveram violência ou grave ameaça, o que permitiria, segundo a lei, a mudança de regime. O ministro ressaltou que o benefício poderá ser revogado caso o hacker volte a delinquir.
Apesar da fundamentação legal apresentada, a decisão não passou despercebida. Para opositores, o caso simboliza um STF cada vez mais concentrador de poder, onde um único ministro decide destinos políticos e penais, muitas vezes sem o contraditório do plenário. Esse cenário tem sido chamado por críticos de uma “ditadura de toga”, na qual Alexandre de Moraes atua como investigador, acusador e julgador.
O sentimento de repúdio cresce à medida que decisões desse tipo se acumulam. Para muitos brasileiros, não se trata apenas de Delgatti ou Zambelli, mas de um modelo de Justiça que, na visão deles, abandonou a isenção e passou a agir com viés político, aprofundando a desconfiança nas instituições e no próprio Estado de Direito.