
Eduardo Bolsonaro celebra apoio estrangeiro e transforma embate com Moraes em pauta internacional
Aliado de Trump, deputado republicano dos EUA se junta à cruzada da família Bolsonaro contra o ministro do STF — e Eduardo agradece de braços abertos
O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) voltou a usar o cenário político internacional como palco para a sua cruzada pessoal contra o ministro Alexandre de Moraes. Nesta quarta-feira (9), Eduardo agradeceu publicamente o apoio do congressista americano Cory Mills, do Partido Republicano da Flórida, por endossar o discurso de Donald Trump em defesa de Jair Bolsonaro e, mais do que isso, por atacar diretamente o magistrado do STF.
Mills, conhecido por sua proximidade com a ala mais radical da política americana, questionou se o governo dos Estados Unidos pretendia adotar alguma medida contra Alexandre de Moraes. Eduardo, por sua vez, não perdeu tempo em aplaudir a provocação e agradeceu o gesto com entusiasmo nas redes sociais.
“É reconfortante ver que nossa luta por liberdade e contra abusos do Judiciário tem eco fora do Brasil”, disse Eduardo, como se os interesses nacionais agora precisassem do aval do Partido Republicano dos EUA. A declaração soa como mais uma tentativa de internacionalizar um embate pessoal e político que, aqui dentro, já causa rupturas nas instituições.
A aproximação de Eduardo com nomes da política americana ultraconservadora, especialmente com apoiadores de Trump, não é de hoje. Mas o que chama atenção é a disposição do parlamentar em envolver parlamentares estrangeiros nos assuntos internos do Brasil — sobretudo quando se trata de atacar membros do Judiciário que investigam sua própria família.
Mais do que um agradecimento, o gesto de Eduardo parece um convite para que o conflito institucional brasileiro seja exportado. Ao invés de buscar diálogo, o filho do ex-presidente prefere alimentar disputas e reforçar narrativas de perseguição — mesmo que, para isso, recorra a vozes de fora que pouco ou nada têm a ver com a realidade brasileira.
No fim das contas, o que se vê é uma tentativa clara de pressionar o Supremo por vias externas, usando a diplomacia da discórdia como estratégia. E para quem diz defender a soberania nacional, é no mínimo curioso ver tanto entusiasmo com ingerência internacional.