Advogada presa por ligação com o Comando Vermelho era esposa de traficante, revela Polícia Federal

Advogada presa por ligação com o Comando Vermelho era esposa de traficante, revela Polícia Federal

Segundo as investigações, advogados funcionavam como mensageiros de líderes do CV, levando ordens de dentro dos presídios para o crime nas ruas.

A teia do crime no Amazonas ganhou novos capítulos nesta quinta-feira (6). A Polícia Federal revelou que uma das quatro advogadas presas em Manaus, Janai de Souza Almeida, não era apenas defensora de criminosos, mas esposa de um dos chefes do Comando Vermelho (CV) — o traficante Denilson de Andrade Júnior, conhecido como “Pelado”.

De acordo com a PF, o casal mantinha uma parceria dentro e fora das grades. “Pelado”, atualmente preso em um presídio federal de segurança máxima, já foi um dos conselheiros do grupo Revolucionários do Amazonas (RDA) e, antes de ser capturado, havia migrado para o CV, assumindo o controle do tráfico na Colônia Antônio Aleixo, zona leste de Manaus.

A operação também apontou que Alan Sérgio Martins Batista, o “Alan do Índio”, apontado como o principal comandante do CV no estado, usava os advogados como linha direta com o crime. As ordens saíam das celas e eram repassadas pelos “doutores” para as ruas — numa espécie de central jurídica do tráfico.

Os investigadores afirmam que os profissionais do Direito, escudados pelo sigilo da profissão, atuavam como verdadeiros “meninos de recado” dos líderes da facção. Eles seriam responsáveis por transmitir mensagens, repassar estratégias e até coordenar decisões da cúpula do CV, tudo sob a aparência de visitas e atendimentos legais.

As prisões fazem parte da Operação Xeque-Mate, que segue desmantelando a estrutura do crime organizado no estado. Mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão foram cumpridos pela Justiça Federal do Amazonas.

Entre os alvos, também está Alan do Índio, foragido de uma megaoperação que deixou 121 mortos no Rio de Janeiro.

O caso reforça uma velha máxima conhecida nos bastidores da segurança pública: quando o crime se veste de terno e gravata, a fronteira entre o escritório e a cela fica perigosamente tênue.

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