
Eduardo Bolsonaro já ultrapassa limite de faltas e pode perder o mandato, afirma Hugo Motta
Presidente da Câmara diz que deputado, vivendo nos EUA, já estourou o número de ausências permitido e deve ter a cassação recomendada ainda nesta semana.
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), confirmou nesta terça-feira (9) que Eduardo Bolsonaro (PL-SP) já acumulou faltas suficientes para perder o mandato. O deputado está nos Estados Unidos desde fevereiro, alegando perseguição judicial, e simplesmente deixou de aparecer nas sessões.
Segundo Motta, não há espaço para interpretações: Eduardo ultrapassou o limite permitido pela Constituição, que determina perda do mandato para quem falta a um terço ou mais das votações do ano legislativo. E os números falam por si — de 71 sessões realizadas em 2025, ele ignorou 56. Quase 80% de ausência.
Eduardo até tentou se blindar. Tirou uma licença temporária para não ter faltas registradas, mas o prazo venceu em julho. Sem chance de renovação, voltou automaticamente ao cargo e passou a acumular ausências uma atrás da outra.
Ele também tentou uma cartada para seguir atuando dos EUA, pedindo para votar à distância — pedido negado. Em outra tentativa, buscou assumir a liderança da minoria para tentar escapar do registro de faltas. Não colou. Hugo Motta barrou a manobra.
Diante do cenário, o presidente da Câmara decidiu acelerar o processo e iniciar ainda esta semana o rito que pode levar à cassação. Eduardo terá cinco sessões para apresentar sua defesa, mas Motta já adiantou que a tendência da Mesa é recomendar a perda do mandato. A expectativa é concluir tudo até a semana que vem.
Mesmo cassado, Eduardo não ficará inelegível — a penalidade é administrativa, não criminal. Mas isso não muda o fato central: um parlamentar não pode cumprir mandato do outro lado do continente. A Câmara, inclusive, bloqueou seu acesso ao sistema de votação desde agosto.
Enquanto isso, nos EUA, Eduardo segue participando de reuniões políticas e até defendendo medidas econômicas americanas que prejudicaram o Brasil. A Polícia Federal investigou sua atuação internacional e o indiciou por coação, acusando-o de tentar influenciar decisões que envolvem seu pai, Jair Bolsonaro. O STF já o transformou em réu.
A situação, que começou com uma longa viagem “por segurança”, agora se transforma em um processo acelerado de cassação — e um dos capítulos mais constrangedores da trajetória parlamentar do filho 03 do ex-presidente.