Eduardo Bolsonaro se antecipa e visita gabinete de Marco Rubio antes do chanceler de Lula

Eduardo Bolsonaro se antecipa e visita gabinete de Marco Rubio antes do chanceler de Lula

Na véspera do encontro oficial entre Mauro Vieira e o secretário de Estado americano, Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo fazem visita política e ironizam o governo: “Boa sorte para o ministro”.

Um dia antes de o chanceler Mauro Vieira desembarcar no Departamento de Estado dos Estados Unidos para conversar com o secretário Marco Rubio, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o ex-apresentador Paulo Figueiredo decidiram se adiantar. Na quarta-feira (15), os dois estiveram em Washington e visitaram o gabinete de Rubio, um aliado de longa data da família Bolsonaro — e atual encarregado das negociações comerciais com o Brasil, por ordem do presidente Donald Trump.

A visita, anunciada de forma discreta nas redes sociais, acabou gerando comentários e ironias. Em vídeo publicado após o encontro, Figueiredo afirmou que ambos foram “maravilhosamente recebidos” e desejaram “boa sorte para Mauro Vieira”, em tom de provocação ao chanceler brasileiro, que se reuniria com Rubio no dia seguinte.

Conversas e recados velados

Embora não haja confirmação oficial de que a dupla tenha se encontrado diretamente com Marco Rubio, Eduardo e Figueiredo circularam pelo Departamento de Estado e afirmaram ter discutido a “perspectiva de anistia para os presos do 8 de janeiro”, além da atual crise nas relações comerciais entre Brasil e EUA.

“Os Estados Unidos estão em uma posição forte agora. Vamos ver o que o Brasil tem a oferecer”, disse Paulo Figueiredo, acrescentando que a política, apesar de indesejada nas tratativas econômicas, “será impossível de tirar da mesa”.

Eduardo Bolsonaro, por sua vez, afirmou que a pauta da anistia “segue mais viva do que nunca” e publicou em suas redes a frase “nós venceremos”, reforçando o tom político da visita.

O pano de fundo: o “tarifaço”

O encontro extraoficial aconteceu em meio à crise provocada pelo chamado tarifaço — a sobretaxa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros desde julho. Segundo autoridades americanas, apenas 10% da medida têm base comercial, enquanto os outros 40% seriam resposta à “censura” e ao “clima de perseguição política” no Brasil.

A fala foi interpretada no Itamaraty como uma clara interferência política. Para o governo Lula, a taxação é uma retaliação direta às decisões do STF e à prisão de manifestantes ligados ao bolsonarismo.

A vez de Mauro Vieira

Nesta quinta-feira (16), será a vez de Mauro Vieira tentar destravar a pauta com o secretário Marco Rubio. O encontro foi confirmado pelo presidente Lula e deve tratar da redução das tarifas sobre exportações brasileiras, além de temas como investimentos, regulação de big techs e cooperação regional.

A reunião marca uma tentativa de reaproximação entre os dois países após meses de tensão diplomática. O diálogo foi iniciado por uma ligação cordial entre Lula e Trump, no último dia 6 de outubro, na qual ambos sinalizaram interesse em uma reunião presencial — ainda sem data definida.

Diplomacia e disputa de narrativa

Enquanto o Itamaraty tenta abrir canais de diálogo para aliviar o impacto econômico das tarifas, os aliados de Bolsonaro buscam se recolocar no cenário político americano. A visita de Eduardo e Figueiredo, às vésperas do encontro oficial, soou como um movimento simbólico de provocação e um lembrete de que o bolsonarismo segue ativo nos bastidores internacionais.

No tabuleiro diplomático, cada gesto pesa. E, desta vez, a corrida para chegar primeiro ao gabinete de Marco Rubio parece ter sido mais sobre narrativa do que sobre política externa.

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