
Marco Rubio pressiona China pela libertação de pastores presos por pregar fora do controle do Estado
Secretário de Estado dos EUA condena ação do regime comunista contra líderes cristãos da Igreja Zion, uma das maiores comunidades domésticas do país.
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, pediu neste domingo (12) a libertação imediata de dezenas de pastores e fiéis ligados à Igreja Zion, uma das maiores redes cristãs domésticas da China. As prisões ocorreram entre os dias 9 e 11 de outubro, em várias províncias chinesas, durante uma operação coordenada pelo governo de Pequim contra grupos religiosos não registrados.
Entre os detidos está o pastor Jin Mingri, fundador da denominação. Até o dia 13, apenas 16 pessoas haviam sido libertadas — o paradeiro dos demais continua incerto. Familiares relataram ter recebido notificações oficiais de detenção emitidas pela polícia da cidade de Beihai, na província de Guangxi.
Prisões por “uso ilegal da internet”
Documentos oficiais apontam que os pastores Jin Mingri, Gao Yingjia, Yin Huibin e Wang Cong, além da cristã Yang Lijun, foram acusados de “uso ilegal de informações da internet”. O motivo pode estar ligado ao novo Código de Conduta Online para Profissionais Religiosos, criado pelo regime comunista em setembro, que restringe severamente qualquer atividade religiosa em ambiente digital sem autorização estatal.
Em publicação na rede X (antigo Twitter), Rubio condenou a ofensiva chinesa:
“Os Estados Unidos repudiam a recente detenção de dezenas de líderes da Igreja Zion, incluindo o pastor Mingri ‘Ezra’ Jin. Exigimos sua libertação imediata.”
A fé sob vigilância
Fundada em 2007, em Pequim, a Igreja Zion cresceu rapidamente, reunindo cristãos em cultos domésticos e atividades sociais sem o registro obrigatório exigido pelo governo. Hoje, o movimento está presente em mais de 40 cidades e se destaca por ações voltadas à educação, apoio familiar e evangelização online.
Mas essa independência tem um preço. Nos últimos meses, as chamadas “igrejas domésticas” — grupos que se reúnem fora das estruturas controladas pelo Partido Comunista — vêm enfrentando repressão crescente. Cultos são interrompidos, líderes são interrogados e comunidades inteiras acabam sendo dispersas pela polícia.
Ainda assim, em meio ao medo e à censura, cristãos chineses têm se unido em orações e manifestações silenciosas de solidariedade à Igreja Zion e a seus pastores presos.
Um país onde a fé é vigiada
A China ocupa atualmente o 15º lugar na Lista Mundial da Perseguição 2025, divulgada pela Missão Portas Abertas. O governo de Xi Jinping controla rigidamente todas as expressões religiosas, permitindo apenas instituições aprovadas pelo Estado. Crianças e adolescentes são proibidos de participar de cultos, e qualquer tentativa de evangelização fora do sistema estatal é considerada “ameaça à ordem pública”.
Enquanto líderes religiosos são monitorados e punidos, Pequim insiste que sua política busca apenas “proteger a harmonia social”. Mas para quem vive sob essa vigilância, a mensagem é outra: crer fora das regras do Partido continua sendo um ato de resistência.