
Em recado direto aos movimentos sociais, Lula alerta contra retrocessos e pede mobilização nas eleições
Sem citar adversários, presidente afirma que o país não pode eleger quem ameaça políticas públicas e cobra maior engajamento popular na disputa pelo Congresso
Diante de uma plateia formada majoritariamente por representantes de movimentos sociais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um discurso firme, carregado de recados políticos e alertas para o futuro do país. Durante a Conferência Nacional das Cidades, realizada em Brasília, Lula deixou claro que as eleições que se aproximam não podem ser tratadas como algo trivial.
Sem mencionar nomes ou partidos, o presidente afirmou que cabe à sociedade organizada impedir que chegue ao Palácio do Planalto alguém disposto a desmontar políticas públicas construídas ao longo de anos. O tom foi de convocação direta: segundo Lula, quem esteve nas ruas, nos conselhos e nas lutas sociais sabe exatamente o que está em jogo.
“Este ano tem eleição, e vocês precisam ter consciência da responsabilidade que têm. Não dá para permitir que uma pessoa que vai destruir tudo aquilo que foi construído chegue à Presidência da República”, afirmou, sob aplausos.
Além da disputa presidencial, Lula também voltou suas críticas para a composição do Congresso Nacional. Ele destacou o peso da bancada ruralista, que, segundo suas contas, ultrapassa 170 deputados, e contrastou esse número com a baixa representação de trabalhadores, operários e mulheres no Parlamento. Para o presidente, esse desequilíbrio revela uma falha coletiva no momento do voto.
“O povo trabalhador ainda elege muito pouco quem o representa de verdade. Isso mostra que algo está errado na nossa compreensão política. Vocês sabem o que é retrocesso, já sentiram isso na pele”, disse.
Em outro momento do discurso, Lula fez questão de reforçar sua ligação histórica com os movimentos populares. Afirmou que suas vitórias eleitorais não vieram do apoio de banqueiros ou grandes empresários, mas da mobilização social.
“Eu não devo meu mandato a banqueiro da Faria Lima nem a grande empresário. Devo a vocês, que lutaram e garantiram o direito de me eleger”, declarou.
Com maioria feminina na plateia, o presidente também deu destaque ao combate à violência contra a mulher. Lula disse que assumiu o compromisso de articular um pacto entre Executivo, Judiciário e Legislativo para enfrentar o feminicídio e mudar uma cultura que ainda naturaliza agressões.
Segundo ele, essa transformação precisa começar cedo, inclusive na educação das crianças, e passar também pelas igrejas. “Quem bate em mulher não é homem, é covarde”, afirmou, arrancando nova reação do público.
No campo das políticas públicas, Lula relembrou decisões do governo anterior, como a extinção do Ministério das Cidades e o fim do programa Minha Casa Minha Vida, substituído à época por outro modelo. Ele destacou que a pasta das Cidades foi recriada e que o governo não apenas retomou o programa habitacional como ampliou suas metas.
Segundo o presidente, a promessa inicial de dois milhões de moradias já foi superada, com a meta elevada para três milhões. Lula também citou a recriação de ministérios como os da Cultura, do Trabalho e dos Direitos Humanos, extintos na gestão passada.
O presidente chegou ao evento acompanhado do ministro das Cidades, Jader Filho, e do presidente da Caixa Econômica Federal, Carlos Vieira. Em seus discursos, ambos exaltaram a trajetória de Lula e foram ovacionados pela plateia, que entoou repetidas vezes gritos de apoio ao presidente.
No encerramento, ficou clara a mensagem central: para Lula, a eleição não será apenas uma disputa de nomes, mas uma escolha entre avançar ou permitir o desmonte de políticas que impactam diretamente a vida da população mais vulnerável. E, segundo ele, os movimentos sociais terão papel decisivo nesse desfecho.