
Costa Neto critica Trump e diz que EUA poderiam pressionar STF com Lei Magnitsky
Presidente do PL afirma que Casa Branca falhou com a direita brasileira e defende sanções internacionais como instrumento político
O presidente nacional do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto, elevou o tom ao comentar a atuação internacional do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em relação ao cenário político brasileiro. Em entrevista ao programa Canal Livre, da Band, Costa Neto afirmou que Trump poderia ter ido além e usado a Lei Magnitsky para impor sanções a mais ministros do Supremo Tribunal Federal.
Segundo o dirigente partidário, a postura de Trump ficou aquém do esperado pelos movimentos de direita no Brasil. Para ele, houve uma oportunidade desperdiçada de demonstrar apoio mais firme a aliados ideológicos e, principalmente, ao ex-presidente Jair Bolsonaro. “Trump falhou com a direita brasileira”, resumiu Costa Neto, ao expressar frustração com a falta de uma ação mais contundente da Casa Branca.
Na avaliação do presidente do PL, a Lei Magnitsky — mecanismo da legislação norte-americana que permite punir autoridades estrangeiras acusadas de violações de direitos humanos — poderia ter sido usada como instrumento de pressão política. Ele chegou a afirmar que Trump “poderia muito bem colocar mais um ou dois ministros do STF” sob esse tipo de sanção, citando diretamente o ministro Alexandre de Moraes como alvo possível.
Costa Neto também deixou claro o raciocínio por trás dessa estratégia: o medo de sanções internacionais poderia, segundo ele, abrir espaço para negociações internas, como a votação de uma anistia ampla para envolvidos nos atos de 8 de janeiro. Na visão do dirigente, a pressão externa funcionaria como moeda de troca para destravar pautas defendidas pela direita no Congresso Nacional.
O discurso revela não apenas uma crítica direta a Trump, mas também uma leitura pragmática da política internacional: para Costa Neto, grandes potências usam seu peso econômico e jurídico para influenciar decisões internas de outros países — e os Estados Unidos não seriam exceção. Ao dizer que Trump “podia ter feito mais”, o presidente do PL tenta reforçar a ideia de que faltou ousadia e alinhamento estratégico com os conservadores brasileiros.
As declarações expõem, ainda, o grau de tensão entre setores da direita e o Judiciário brasileiro, além de mostrar como figuras políticas nacionais enxergam o papel de lideranças estrangeiras no tabuleiro interno. Para Costa Neto, pressão internacional não seria interferência, mas uma ferramenta legítima de disputa política em um cenário que ele considera desequilibrado.