
Enquanto aposentados passam fome e a Amazônia queima, famosos só se importam com o elefante
Artistas fazem barulho pela liberdade do elefante Sandro, mas calam sobre os verdadeiros dramas do país — e o prefeito de Sorocaba não perde a chance de responder.
Parece até roteiro de novela, mas é a vida real: enquanto aposentados do INSS lutam para colocar comida na mesa e a Amazônia arde em chamas — um dos maiores desastres ambientais da nossa história —, os holofotes se voltam para… um elefante do zoológico de Sorocaba. Isso mesmo.
Famosos da nova novela da Globo, Êta Mundo Bom, resolveram transformar o elefante Sandro em símbolo de suas campanhas nas redes sociais, pedindo ao prefeito Rodrigo Manga que liberte o animal. A Justiça já ordenou a transferência do pachyderm para um santuário em Mato Grosso, mas o pedido emperra por aqui — e o prefeito não se cala.
Em um vídeo, a atriz Paula Burlamaqui e outros colegas choramingam sobre os “40 anos de exploração” de Sandro no zoológico. Para eles, o elefante merece “viver livre com outros da sua espécie”. Que linda preocupação! Pena que o mesmo amor não se estenda aos idosos que recebem aposentadorias miseráveis, ou às florestas que viram cinzas enquanto eles postam suas campanhas glamourosas.
Rodrigo Manga respondeu com ironia fina: “Atores da Globo, vão lacrar em outro lugar”. Em outras palavras, disse que os artistas estão mais interessados em brilhar na internet do que entender a realidade da cidade e do animal. Afinal, Sandro é tratado com carinho e monitorado por uma equipe técnica — e a mudança para Mato Grosso, longe mais de 1.400 km, é um risco enorme para a saúde do elefante.
Enquanto isso, aposentados e famílias que passam fome no país queima em silêncio. A Amazônia que grita por socorro é ignorada, mas o elefante vira assunto de primeira página — nas mãos da classe artística que, em grande parte, prefere a exposição nas redes sociais a se engajar nas crises que realmente importam.
Será que o próximo vídeo viral será para salvar as árvores ou garantir um salário digno para quem trabalhou a vida toda? Fica a dúvida.