
Enquanto o Brasil patina, Lula aposta no hexa e manda recado indireto a Neymar
Presidente fala de Copa do Mundo, elogia Ancelotti e ignora crise nacional ao comentar que “ninguém joga pelo nome”
Durante evento da Taça da Copa, Lula aposta no hexa em 2026, elogia Carlo Ancelotti e faz declaração vista como indireta a Neymar, enquanto críticos apontam falta de foco nos problemas reais do Brasil.
Em meio a um Brasil atolado em crises econômicas, sociais e políticas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva resolveu trocar o discurso sobre inflação, violência e desemprego por palpites otimistas sobre futebol. Durante o Tour da Taça da Copa do Mundo, no Palácio do Planalto, Lula declarou estar “convencido” de que a Seleção Brasileira vai conquistar o hexacampeonato em 2026.
A confiança, segundo ele, veio após uma conversa com o técnico Carlo Ancelotti, atual comandante da seleção. O presidente fez questão de elogiar a “seriedade” do treinador — talvez na esperança de que essa mesma seriedade contagie outros setores do país, onde ela anda em falta.
Indireta atravessada para Neymar e aplausos fora de campo
Sem citar nomes, Lula afirmou que Ancelotti não convocará jogadores por fama ou histórico, mas apenas quem estiver “100% preparado”. A fala foi imediatamente interpretada como uma indireta ao atacante Neymar, frequentemente cercado por polêmicas, lesões e mais manchetes fora do que dentro de campo.
“Não vai convocar ninguém pelo nome”, disse o presidente, em tom firme — algo que muitos brasileiros gostariam de ouvir quando o assunto é governar, e não escalar um time de futebol.
Enquanto isso, problemas estruturais seguem sem solução concreta: filas no SUS, insegurança, rombos fiscais e um país que cobra respostas. Ainda assim, Lula preferiu destacar que o Brasil está há 24 anos sem ganhar uma Copa e que “agora é a hora”, como se o hexa tivesse poder mágico de apagar frustrações nacionais.
Futebol como distração em ano de cobrança
A Copa do Mundo de 2026, que será disputada nos Estados Unidos, Canadá e México, ainda está distante. Já os problemas do Brasil, não. Mesmo assim, o presidente apostou alto no discurso esportivo, reforçando a velha fórmula do futebol como válvula de escape — ou cortina de fumaça.
O Tour da Taça, que passou por várias capitais brasileiras, reuniu ex-jogadores históricos e reacendeu a paixão nacional pelo esporte. Mas, fora dos gramados, cresce a crítica: enquanto o país pede soluções, o presidente parece mais confortável falando de escalação, jejum de títulos e esperança no hexa.
No fim das contas, fica a ironia: para a Copa, Lula diz estar “convencido”. Já para resolver os problemas do Brasil, boa parte da população segue esperando algo mais que otimismo e discursos fora de campo.