
CPMI do INSS: Governistas tentam reverter votação e se reúnem com Alcolumbre em clima de tensão
Parlamentares aliados do governo questionam resultado da comissão que aprovou quebra de sigilo de Lulinha e Banco Master e buscam intervenção do presidente do Senado
Após derrota na CPMI do INSS, governistas se reúnem com Davi Alcolumbre para tentar anular votação que aprovou a quebra de sigilo de Lulinha e do Banco Master, gerando dúvidas sobre a posição do Senado.
Em um capítulo tenso da CPMI do INSS, parlamentares aliados do governo correram nesta quinta-feira (26/2) para tentar reverter a votação que aprovou requerimentos de quebra de sigilo de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, e do Banco Master.
Após a sessão, marcada por confusão e interrupção provocada por empurrões e gritos, os governistas se dirigiram à Residência Oficial do Senado para uma reunião com o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, solicitando que o resultado da votação fosse anulado.
Segundo participantes do encontro, Alcolumbre recebeu as alegações de forma institucional e manteve cautela, sem se posicionar sobre a reversão. O senador ouviu ainda a oposição antes de analisar o pedido em conjunto com a advocacia do Senado, gerando um clima de desconfiança entre aliados do governo, que esperam um posicionamento rápido.
Disputa pela contagem de votos e acusações de fraude
Os governistas alegam que, durante a votação simbólica, estavam presentes 21 parlamentares, sendo que 14 se posicionaram contra os requerimentos aprovados pela oposição. Já o presidente da comissão, Carlos Viana, afirmou que apenas sete votos seriam válidos por serem de titulares, garantindo a vitória da oposição.
A senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) classificou a situação como “flagrante delito” e acusou Viana de fraude. “Passou de todos os limites. Vamos recorrer e tomar providências”, afirmou.
Enquanto isso, dentro do governo, cresce a expectativa sobre a possível intervenção de Alcolumbre, que poderia suspender os efeitos da votação antes que os documentos cheguem à CPMI — algo que deve levar duas ou três semanas, segundo parlamentares governistas.
O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), reforçou a crítica à condução da comissão: “O problema não é Lulinha prestar depoimento, mas a falta de equilíbrio na pauta. Hoje, tínhamos maioria, mas só foram contabilizados os votos favoráveis à oposição. É preciso justiça na condução dos trabalhos”.
Wagner ainda defendeu o filho do presidente Lula, destacando o “padrão de vida modesto” da família, e reforçou que a oposição seleciona quem pode ou não prestar depoimento na CPMI.