Entre memórias e bombas

Entre memórias e bombas

Kim Jong-un acena a Trump, mas exige que EUA esqueçam desnuclearização para retomar diálogo

O líder norte-coreano voltou a jogar com as palavras e com as bombas. Em discurso no parlamento de Pyongyang, Kim Jong-un disse neste domingo (21) que ainda guarda “boas lembranças” de Donald Trump e que aceitaria negociar com Washington — mas apenas se os americanos desistirem da ideia de forçar a Coreia do Norte a abrir mão de seu arsenal nuclear.

Kim deixou claro que não pretende conversar com a Coreia do Sul, a antiga ponte entre ele e Trump, rompida desde o fracasso da cúpula de 2019. Desde então, as relações na Península só pioraram: Pyongyang acelerou seus testes de mísseis, aproximou-se de Moscou em plena guerra da Ucrânia e passou a tratar Seul como inimigo permanente.

O discurso ocorre no mesmo momento em que o presidente sul-coreano, Lee Jae Myung, embarcava para Nova York para a Assembleia Geral da ONU, onde deve pedir a volta da Coreia do Norte à mesa de negociações. Trump também planeja viajar à região no próximo mês, levantando especulações sobre um possível reencontro com Kim — lembrando os encontros de 2019, que terminaram sem acordo.

Apesar das “boas memórias” com Trump, Kim reafirmou que não abrirá mão de suas armas. Para ele, o programa nuclear é o escudo que garante a sobrevivência de sua dinastia. “O mundo já sabe o que acontece quando um país se desarma por pressão dos Estados Unidos”, declarou.

Nos bastidores, analistas veem a estratégia de Kim como um jogo de pressão: manter o risco nuclear ativo para forçar Washington a reconhecer a Coreia do Norte como potência atômica e arrancar concessões econômicas em troca. Ao mesmo tempo, Kim se fortalece ao lado de Rússia e China, tentando mostrar que ainda tem cartas importantes na mesa global.

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