
Entre sambas e seguranças, o casal da ostentação não perde a festa
Lula vai à Sapucaí assistir a desfile em sua homenagem enquanto o povo paga a conta da folia do poder
Nem a crise, nem os discursos sobre austeridade impediram mais um passeio de gala. Com segurança reforçada e tapete vermelho, o presidente Lula confirmou presença no Carnaval da Marquês de Sapucaí para assistir, confortavelmente, ao desfile da Acadêmicos de Niterói — escola que resolveu transformar o chefe do Executivo em enredo.
Segundo relatos do próprio Planalto, Lula teria ficado “lisonjeado” com a homenagem. Tão lisonjeado que chegou a ser convidado para desfilar. Aí, claro, veio o recuo estratégico: melhor só assistir, cercado de seguranças, camarotes e privilégios. O simbolismo já estava garantido.
Luxo no sambódromo, aperto fora dele
Enquanto milhões de brasileiros enfrentam inflação, filas no SUS e dificuldades básicas, o casal presidencial segue firme no roteiro de festas, viagens e eventos badalados. O dinheiro é público, mas a diversão é privada.
A escola de samba, estreante no Grupo Especial, abre os desfiles com um enredo que exalta Lula como símbolo de “esperança”. Uma esperança que, curiosamente, parece não chegar ao bolso nem à mesa do cidadão comum, mas comparece pontualmente aos grandes eventos, bancados direta ou indiretamente pelo Estado.
Ironia que desfila junto
A cena é quase caricata: discursos sobre desigualdade de dia, camarote vip à noite. O presidente que se vende como “homem do povo” assiste ao Carnaval do alto, protegido por um forte esquema de segurança — tudo pago por quem não terá acesso nem ao sambódromo, nem aos privilégios.
No Brasil real, falta dinheiro. No Brasil do poder, não falta festa. E o casal da ostentação mostra, mais uma vez, que entre governar e comemorar, a prioridade nunca é o sacrifício.
No fim, a Sapucaí vira palco não só de samba, mas de uma ironia amarga: o povo aperta o cinto, enquanto o poder dança.