Entre técnicos, taças e banqueiros: Lula segue misturando os campos

Entre técnicos, taças e banqueiros: Lula segue misturando os campos

No Planalto, presidente brinca de escalar treinador enquanto o caso Banco Master segue no banco de reservas

Enquanto o país tenta entender os desdobramentos do escândalo bilionário envolvendo o Banco Master, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mostrou que, no Palácio do Planalto, o clima segue leve — quase de arquibancada. Em reunião oficial nesta segunda-feira (26), Lula encontrou tempo para dar palpites sobre futebol e até sugerir o próximo passo da carreira de Carlo Ancelotti.

Ao lado do técnico da seleção brasileira, do presidente da Fifa, Gianni Infantino, e do presidente da CBF, Samir Xaud, Lula pediu, em tom descontraído, que Ancelotti assuma o Corinthians depois de encerrar seu contrato com a Seleção. Um pedido feito com a naturalidade de quem conversa sobre escalação, não sobre crises econômicas ou rombos bancários.

“Depois que você sair da Seleção, vai treinar o Corinthians”, disse o presidente, como se estivesse resolvendo um amistoso — e não governando um país em meio a investigações financeiras bilionárias.

Autoridade moral no futebol, silêncio nos bastidores

Lula chegou a afirmar que Ancelotti teria hoje uma “autoridade moral” que nenhum técnico brasileiro possui. A ironia é inevitável: autoridade moral parece abundante quando o assunto é futebol, mas fica curiosamente discreta quando o tema envolve reuniões fora da agenda com banqueiros, como no caso do encontro com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Enquanto publicamente o presidente chama o caso do banco de “golpe bilionário”, nos bastidores houve conversa reservada, sem registro oficial, longe da transparência que tanto se cobra dos outros. No gramado, discurso firme; no camarote, jogo escondido.

Copa do Mundo Feminina como cortina de fundo

Oficialmente, a reunião serviu para discutir a Copa do Mundo Feminina de 2027, que será realizada no Brasil. Lula destacou o evento como um marco para o esporte e uma oportunidade de inspirar meninas e meninos em todo o país — uma pauta importante, sem dúvida.

Mas a sensação é que, enquanto se fala em legado esportivo e inspiração, temas espinhosos como o rombo do Banco Master, o impacto no sistema financeiro e a proximidade entre governo e grandes interesses seguem sendo tratados como assunto para outro vestiário.

No fim, Lula parece confortável nesse papel multifunção: técnico de futebol nas horas vagas, crítico de banqueiros nos discursos e anfitrião discreto nos encontros que não entram na agenda. Tudo no mesmo jogo — só muda o uniforme.

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