Espanha diz “não” a Trump e rejeita Conselho da Paz sobre Gaza

Espanha diz “não” a Trump e rejeita Conselho da Paz sobre Gaza

Pedro Sánchez afirma que iniciativa dos EUA ignora a ONU e exclui os palestinos do processo de decisão

O governo da Espanha decidiu não integrar o chamado “Conselho da Paz”, criado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para tratar do conflito entre Israel e Palestina, especialmente na Faixa de Gaza. A recusa foi confirmada pelo primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, que agradeceu o convite, mas deixou claro que a posição do país segue outra direção.

Segundo Sánchez, a Espanha optou por ficar de fora por uma questão de coerência política e diplomática. Para ele, qualquer iniciativa voltada à paz no Oriente Médio deve respeitar o multilateralismo e passar, necessariamente, pelo sistema das Nações Unidas. O presidente espanhol reforçou que não vê legitimidade em um conselho que funciona fora desse marco internacional.

“O futuro de Gaza não pode ser decidido em salas fechadas nem por terceiros. Ele precisa ser construído pelos próprios palestinos e israelenses, por meio de diálogo e com base na solução de dois Estados”, afirmou.

Sánchez também criticou abertamente a composição do conselho proposto por Trump, destacando a ausência de representantes palestinos. Para o governo espanhol, essa exclusão enfraquece qualquer tentativa real de mediação e compromete a credibilidade da iniciativa.

A posição da Espanha não chega a surpreender. O país tem adotado um discurso cada vez mais crítico às operações militares de Israel em Gaza e vem defendendo uma atuação internacional mais equilibrada e amparada pelo direito internacional.

O “Conselho da Paz” foi oficializado por Trump durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. Desde então, a iniciativa dividiu a comunidade internacional: alguns países aceitaram participar, outros não responderam, e um grupo — entre eles Espanha, França, Suécia e Noruega — optou por recusar formalmente o convite.

Para Madri, a mensagem é clara: sem a ONU e sem a participação direta dos palestinos, não há caminho legítimo para discutir a paz em Gaza.

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