
EUA não reconhecem Delcy Rodríguez e só admitem diálogo após mudança política na Venezuela
Washington pressiona por eleições e reformas, enquanto Itália condena Maduro, mas aposta na via diplomática
O governo dos Estados Unidos declarou neste domingo (4) que não considera legítima a presidência de Delcy Rodríguez na Venezuela. A posição foi reafirmada pelo secretário de Estado, Marco Rubio, em meio ao agravamento da crise política e institucional que atinge o país desde a captura de Nicolás Maduro.
Em entrevista à imprensa americana, Rubio deixou claro que, para Washington, a atual liderança em Caracas não possui reconhecimento formal. Segundo ele, a simples existência de autoridades dispostas a promover mudanças não significa que o governo seja aceito internacionalmente. Para os EUA, a legitimidade só poderá ser discutida após um processo de transição que leve à realização de eleições livres e verificáveis.
Rubio afirmou que os Estados Unidos não descartam o diálogo com representantes venezuelanos, mas condicionam qualquer aproximação a ações concretas. Ele destacou que mudanças estruturais não acontecem de forma imediata e exigem tempo, planejamento e compromissos claros.
Entre as condições apresentadas por Washington estão a reorganização do setor petrolífero para beneficiar a população, o combate efetivo ao narcotráfico e às organizações criminosas, a retirada de grupos armados estrangeiros como as FARC e o ELN do território venezuelano e o distanciamento de alianças com países e organizações consideradas hostis, como Irã e Hezbollah.
Operação militar e resposta do governo venezuelano
Ao comentar a operação que resultou na prisão de Nicolás Maduro, Rubio enfatizou que não se tratou de uma invasão militar, mas de uma ação específica para cumprir mandados judiciais. Segundo ele, os Estados Unidos não mantêm tropas estacionadas de forma permanente na Venezuela.
Em resposta, o governo de Caracas reafirmou o reconhecimento de Delcy Rodríguez como presidente e classificou a captura de Maduro como um ato ilegal e violento. O ministro da Defesa e comandante das Forças Armadas, Vladimir Padrino López, afirmou que a posse de Rodríguez segue decisão do Supremo Tribunal de Justiça venezuelano.
Padrino López também denunciou a morte de seguranças responsáveis pela proteção de Maduro durante a operação. De acordo com o jornal The New York Times, a ofensiva americana teria deixado cerca de 40 mortos no país.
Repercussão na Europa
A crise venezuelana também provocou reações no cenário europeu. O vice-primeiro-ministro e ministro da Infraestrutura e Transportes da Itália, Matteo Salvini, afirmou que Nicolás Maduro deixará poucos saudosos, responsabilizando-o por anos de repressão e deterioração das condições de vida no país.
Ainda assim, Salvini defendeu que a saída para o impasse passe pelo diálogo e pela diplomacia. Para ele, conflitos internacionais devem ser resolvidos respeitando a soberania nacional e o direito dos povos de decidirem seu próprio futuro, sem intervenções impostas de fora.
O líder da Liga mencionou ainda declarações do papa como referência moral, destacando a necessidade de preservar o Estado de Direito e a soberania da Venezuela como pilares para a superação da crise atual.