Washington rejeita legitimidade de Delcy Rodríguez e condiciona diálogo a transição política na Venezuela

Washington rejeita legitimidade de Delcy Rodríguez e condiciona diálogo a transição política na Venezuela

Enquanto EUA mantêm pressão por eleições, Itália critica Maduro, mas defende solução diplomática para a crise

O governo dos Estados Unidos afirmou neste domingo (4) que não reconhece Delcy Rodríguez como presidente legítima da Venezuela, deixando claro que, para Washington, o atual comando em Caracas carece de validade política. A declaração foi feita pelo secretário de Estado, Marco Rubio, em meio ao agravamento da crise institucional no país sul-americano.

Em entrevista a uma emissora americana, Rubio explicou que a existência de figuras capazes de conduzir mudanças internas não equivale ao reconhecimento formal de um governo. Segundo ele, os Estados Unidos só considerarão legítima qualquer liderança venezuelana após um período de transição política que culmine em eleições livres.

O representante do governo de Donald Trump afirmou ainda que Washington está disposto a dialogar com autoridades venezuelanas, desde que elas adotem o que classificou como “decisões corretas”. Ele ressaltou, no entanto, que um processo de transição não ocorre de forma imediata. “Essas transformações levam tempo”, afirmou.

Entre as exigências citadas por Rubio estão o funcionamento do setor petrolífero em benefício da população, o combate efetivo ao tráfico de drogas e às organizações criminosas, a retirada de grupos armados como as FARC e o ELN do território venezuelano e o afastamento de alianças com atores considerados hostis, como Irã e Hezbollah.

Operação militar e reação de Caracas

Sobre a ação militar que resultou na captura de Nicolás Maduro, Rubio reforçou que os Estados Unidos não realizaram uma invasão, mas uma operação direcionada de prisão. Segundo ele, não há tropas americanas permanentemente instaladas em solo venezuelano.

Do outro lado, o governo de Caracas reafirmou o reconhecimento de Delcy Rodríguez como presidente e classificou a prisão de Maduro como um “sequestro covarde” do chefe de Estado constitucional. O ministro da Defesa e comandante das Forças Armadas, Vladimir Padrino López, afirmou que a nomeação de Rodríguez segue decisão do Supremo Tribunal de Justiça do país.

Padrino López também denunciou a morte de seguranças responsáveis pela proteção de Maduro durante a operação. De acordo com informações divulgadas pelo jornal The New York Times, a ação militar dos EUA teria deixado ao menos 40 mortos na Venezuela.

Itália critica Maduro e defende diplomacia

Na Europa, a crise venezuelana também repercutiu. O vice-primeiro-ministro e ministro da Infraestrutura e Transportes da Itália, Matteo Salvini, declarou que poucos sentirão falta de Nicolás Maduro, a quem responsabilizou por anos de fome e repressão contra a população venezuelana.

Apesar das críticas, Salvini defendeu que a solução para o impasse passe pela diplomacia. Segundo ele, a resolução de conflitos internacionais deve respeitar o direito dos povos de decidirem seu próprio destino, sem imposições externas.

O líder da Liga citou ainda as declarações do papa como referência, destacando a importância de garantir a soberania nacional da Venezuela e o respeito ao Estado de Direito como caminhos para superar a atual crise.

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