EUA revogam visto de Paulo Gonet e ministros do STF, e procuradores reagem: “tentativa de intimidação”

EUA revogam visto de Paulo Gonet e ministros do STF, e procuradores reagem: “tentativa de intimidação”

Cancelamento atinge o procurador-geral da República e oito ministros do Supremo; associação de procuradores denuncia violação da soberania e pressão política

A crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos ganhou um novo capítulo com a revogação de vistos de autoridades brasileiras por parte do governo norte-americano. Desta vez, a medida atinge o procurador-geral da República, Paulo Gonet Branco — autor da denúncia contra Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado — e oito dos 11 ministros do Supremo Tribunal Federal.

A decisão partiu do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, que também já havia anunciado sanções semelhantes contra o ministro Alexandre de Moraes e seus “aliados na Corte”. Os alvos incluem nomes de peso como Cármen Lúcia, Gilmar Mendes, Edson Fachin, Cristiano Zanin, Dias Toffoli, Flávio Dino e Luís Roberto Barroso.

Em resposta, a Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) divulgou uma nota dura neste sábado (19/7), classificando o cancelamento do visto de Gonet como uma “ofensa direta à independência institucional do Ministério Público” e uma tentativa de pressionar autoridades brasileiras que cumprem suas funções constitucionais.

“Trata-se de uma reação desproporcional e inaceitável, que fere princípios básicos como a soberania nacional e a não intervenção entre países”, afirma o comunicado da ANPR.

A medida, que acontece após novas ações da Polícia Federal contra Bolsonaro, é vista por juristas e diplomatas como uma retaliação política do governo Trump, especialmente diante da atuação firme do STF e da PGR nos inquéritos envolvendo o ex-presidente brasileiro.

Curiosamente, ficaram de fora das sanções três ministros considerados mais próximos de Bolsonaro: André Mendonça, Nunes Marques (ambos indicados por ele ao Supremo) e Luiz Fux, que recentemente tem sido elogiado por apoiadores do ex-presidente.

O gesto do governo norte-americano aprofunda o desgaste entre os dois países e acende o alerta sobre o uso político da diplomacia para influenciar processos internos de outros Estados democráticos.

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