EUA topam conversar com Brasil na OMC, mas jogam “tarifaço” na conta da segurança nacional

EUA topam conversar com Brasil na OMC, mas jogam “tarifaço” na conta da segurança nacional

Governo Trump acusa políticas brasileiras de minarem o Estado de Direito e justifica sobretaxas como defesa da economia e dos interesses americanos.

Os Estados Unidos aceitaram o pedido do Brasil para consultas na Organização Mundial do Comércio (OMC), feito no início de agosto, mas já chegaram com um aviso: parte das reclamações brasileiras não caberia na mesa de negociação, porque seriam questões de “segurança nacional” — um argumento usado historicamente para blindar Washington de pressões externas.

No documento entregue à OMC, o governo americano disse que as tarifas impostas estão amparadas por leis de emergência, acionadas para proteger a economia diante de déficits comerciais persistentes. Segundo o texto, o então presidente Donald Trump avaliou que as medidas eram “necessárias para lidar com uma emergência nacional”.

A administração Trump foi além: acusou o Brasil de adotar políticas e práticas que “minam o Estado de Direito e ameaçam a segurança nacional, a política externa e a economia dos EUA”. O recado embute um paradoxo: os Estados Unidos aceitam discutir, mas mantêm a narrativa de que só eles têm autoridade para decidir o que fere seus interesses de segurança.

A queixa brasileira incluía tarifas sobre aço e alumínio, barreiras relacionadas ao comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, etanol, medidas anticorrupção, desmatamento e até propriedade intelectual. Washington, porém, classificou parte dessa lista como fora do alcance da OMC, reduzindo as chances de uma solução real dentro do organismo.

Na prática, os EUA abriram a porta para a conversa, mas mantiveram a chave no bolso.

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